17/01/2018

O amor manifesta-se com factos

Vai até Belém, aproxima-te do Menino, baila com Ele, diz-lhe muitas coisas vibrantes, aperta-o contra o coração... Não estou a falar de infantilidades: falo de amor! E o amor manifesta-se com factos: na intimidade da tua alma, bem o podes abraçar! (Forja, 345)


É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé, aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens.


Ao falar diante do presépio sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em paninhos sobre a palha da manjedoura, e, enquanto ainda menino e não diz nada, vê-Lo já como doutor, como mestre. Preciso de considerá-Lo assim, porque tenho de aprender d'Ele. E para aprender d'Ele é necessário conhecer a sua vida: ler o Santo Evangelho, meditar no sentido divino do caminho terreno de Jesus.


Na verdade, temos de reproduzir na nossa, a vida de Cristo, conhecendo Cristo à força de ler a Sagrada Escritura e de a meditar, à força de fazer oração, como agora estamos fazendo diante do presépio.



É preciso entender as lições que nos dá Jesus já desde menino, desde recém-nascido, desde que os seus olhos se abriram para esta bendita terra dos homens. Jesus, crescendo e vivendo como um de nós, revela-nos que a existência humana, a vida corrente e ordinária, tem um sentido divino. (Cristo que passa, nn. 13–14)

Temas para reflectir e meditar

Obedecer



Obedecer ou desobedecer é igualmente ceder.


A diferença é que no segundo caso, a concessão é um aviltamento, e no primeiro, uma libertação.


(Georges Chevrot, Jesus e a Samaritana, Éfeso 1956 pg 177)



Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 3, 1-6

1 Novamente entrou na sinagoga. E estava lá um homem que tinha uma das mãos paralisada. 2 Ora eles observavam-no, para ver se iria curá-lo ao sábado, a fim de o poderem acusar. 3 Jesus disse ao homem da mão paralisada: «Levanta-te e vem para o meio.» 4 E a eles perguntou: «É permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar uma vida ou matá-la?» Eles ficaram calados. 5 Então, olhando-os com indignação e magoado com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão.» Estendeu-a, e a mão ficou curada. 6 Assim que saíram, os fariseus reuniram-se com os partidários de Herodes para deliberar como haviam de matar Jesus.

Comentário:

O Evangelista não usa “meias-palavras” quando se trata de descrever as atitudes de alguns dos fariseus.

Não respondem às perguntas de Jesus porque não querem comprometer-se e também não aceitam que Ele os “ultrapasse” e à sua cobardia manhosa fazendo o milagre em público.

Só encontram uma solução: liquidar de vez aquele que os enfrenta e põe a ridículo.

Nem sequer entendem que o ridículo é da sua exclusiva responsabilidade porque se recusam com teimosa pertinácia em ver e ouvir a Verdade tão evidente que qualquer simples homem dos que os rodeavam viam e ouviam e – mesmo não abarcando completamente – compreendiam que estavam na presença de Alguém superior em tudo - nas palavras, mas, sobretudo nas obras – a eles próprios.

(ama, comentário sobre Mc 3, 1-6, 18.01.2017)








Leitura espiritual

Jesus Cristo o Santo de Deus

Capítulo III

ACREDITAS?

A divindade de Cristo no Evangelho de S. João


6. “Corde creditur: Crê-se com o coração.”

Tudo isto nos estimula a fazermos uma purificação da nossa fé.
S. Paulo que «crê-se com o coração, para alcançar ajustiça, e com a boca faz-se a profissão de fé, para alcançar a salvação» [i].
Na perspectiva católica, a profissão da fé, isto é, o segundo momento deste processo, ganhou por vezes tanto relevo que deixou na sombra o primeiro momento, o qual é o mais importante e se desenrola nas profundezas recônditas do coração.
«É das raízes do coração donde brota a fé» [ii].
Corde creditur, crê-se com o coração, ou melhor, não se crê verdadeiramente senão com o coração.

Este primeiro acto de fé, precisamente porque nasce do coração, é um acto “singular”, que só pode ser feito por cada um de nós, em total recolhimento com Deus.
No evangelho de S. João ouvimos Jesus fazer repetidamente a pergunta:
«Acreditas?»
Faz esta pergunta ao cego de nascença, depois de o ter curado:
«Acreditas no Filho do Homem?» [iii];
Faz a mesma pergunta a Marta:
«Acreditas nisto?» [iv];
E esta pergunta faz brotar sempre do coração o grito da fé:
«Sim, Senhor, eu creio!».
O símbolo da fé da Igreja também começa assim, no singular:
«eu creio…» e não: «nós cremos…».

Quando a palavra “creio!” é pronunciada assim, em estado de verdadeira confissão, esse é o instante em que o tempo se abre para a eternidade «quem acredita n’Ele tem a vida eterna», ainda que esse instante se possa perfeitamente colocar num estado ou num acto permanente de fé e não nascer do nada e acabar em si mesmo.
Este é o caso mais sublime e poético da “revelação do ser”; o ser escondido na própria palavra do homem Jesus ou na própria palavra “Deus” revela-Se, ilumina-Se e então – dizia S. João – acontece que se vê e se contempla a glória de Deus.
Não se crê somente, mas também se reconhece, se vê e se contempla:
«Nós acreditámos e conhecemos» [v];
«Nós comtemplámos a Verdade da vida» [vi]

Através do baptismo, a Igreja antecipou e prometeu a Deus a minha fé; tornou-se garante para mim, ainda criança, de que um dia mais tarde, tornado adulto, eu viria também a crer.
Agora tenho de demonstrar que a Igreja não se enganou a meu respeito.
Não posso crer por interpostas pessoas ou interpostas instituições.
Não deve ser a Igreja a crerem vez de mim.
“Acreditas?”.
Não nos podemos refugiar na multidão nem entrincheirar atrás da Igreja.
Temos de aceitar também nós passar através deste momento e sujeitar-nos a este exame.
Não podemos considerar-nos dispensados.
Se àquela pergunta de Jesus responderes prontamente e sem reflectires: “é claro que creio!” e achares, porventura, estranho que uma pergunta deste género seja dirigida a um crente, a um Sacerdote ou a um Bispo, provavelmente quer dizer que ainda não descobriste o que significa crer verdadeiramente que Jesus é Deus e que nunca desceste às profundezas da fé.
Nunca experimentaste a grande vertigem da razão que precede o acto de fé.
É uma fé que ainda não passou através do escândalo.

Sucedeu que em determinado momento os discípulos pensavam ter chegado ao vértice da fé:
«Agora – disseram a Jesus – sabemos que Tu sabes tudo… Por isso acreditamos que Tu vieste de Deus».

Jesus responde: «Credes agora?», e então pronunciou-lhes de daí a pouco tempo se escandalizariam d’Ele e todos se dispersariam, deixando-O sozinho [vii].
Quantas vezes a nossa fé em Jesus se assemelha à dos discípulos nesta circunstância!
Estamos certos, ingenuamente, que acreditamos intensa e definitivamente, a passo que Jesus, que nos conhece, sabe bem que apenas cheguem as provações, a realidade será bem diferente e demonstrará que afinal não acreditamos n’Ele verdadeiramente.
Aquela expressão «agora cremos!» faz recordar muitas vezes o retrato da nossa fé.

A verdadeira fé é aquela que advém depois de se terem superado os baixios perigosos das provações e do escândalo e não aquela que nunca sentiu essas dificuldades.
Se alguém, por força de tanto ter ouvido falar disso, considerar quase natural que Jesus – este homem – é Deus, e Deus é homem, isso é um deplorável sinal de superficialidade que ofende a Deus tanto ou mais ainda do que a incredulidade de quem considera isso demasiado sublime, algo demasiado indigno de Deus e impossível, tão grande é a ideia que tem da diferença qualitativa e infinita entre Deus e o homem.
Não se deve menosprezar aquilo que Deus levou a cabo fazendo-Se homem, como se isso fosse coisa normal e compreensível.

Antes de tudo, é preciso destruir em nós crentes, e em nós homens da Igreja, a falsa persuasão de que já cremos; é preciso provocar a dúvida – não a respeito de Jesus, claro, mas a nosso respeito – para, então, podermos ir à procura de uma fé mais autêntica.
Quiçá não seja benéfico que, por uns tempos, não se queira revelar nada a ninguém, mas se procure interiorizar a fé e redescobrir as suas raízes no coração!
Jesus perguntou a Pedro por três vezes:
«Tu amas-me
Sabia que à primeira e à segunda vez, a resposta tinha sido demasiado depressa, para ser a verdadeira.
Finalmente, à terceira vez, Pedro compreendeu.
Também a pergunta sobre a nossa fé nos deve ser posta assim: por três vezes, com insistência, a fim de também nós compreendamos e entremos na verdade:
‘Acreditas? Acreditas? Acreditas? Crês verdadeiramente?’
No fim, talvez tenhamos que responder:
‘Não, Senhor, eu não creio verdadeiramente. Ajuda-me a superar a minha incredulidade!’

(cont)

rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.




[i] Rm 10,10
[ii] Stº Agostinho, In Ioh. 26,2 (PL. 35,1697)
[iii] Jo 9,35
[iv] Jo 11,26
[v] Jo 1,14
[vi] Cfr. I Jo 1,1
[vii] Cfr. Jo 16,29-32

Perguntas e respostas

A EUTANÁSIA


10. Faço o que quero com a minha vida?


Sem dúvida que uma pessoa faz com a sua vida coisas que quer, mas isto não significa que actue correctamente.

Pode embebedar se, drogar-se ou suicidar-se, mas são acções erradas.

(Podem ver-se os temas liberdade e o meu corpo).

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







16/01/2018

Dar é próprio dos apaixonados

O teu talento, a tua simpatia, as tuas condições... perdem-se; não te deixam aproveitá-las. – Pensas bem nestas palavras de um autor espiritual: "Não se perde o incenso que se oferece a Deus. – Mais se honra o Senhor com o abatimento dos teus talentos do que com o seu uso vão". (Caminho, 684)


E, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra. Detenhamo-nos um pouco para entender este passo do Santo Evangelho. Como é possível que nós, que nada somos e nada valemos, ofereçamos alguma coisa a Deus? Diz a Escritura: toda a dádiva e todo o dom perfeito vem do alto. O homem não consegue descobrir plenamente a profundidade e a beleza dos dons do Senhor: se tu conhecesses o dom de Deus... – responde Jesus à mulher samaritana. Jesus Cristo ensinou-nos a esperar tudo do Pai, a procurar antes de mais o Reino de Deus e a sua justiça, porque tudo o resto se nos dará por acréscimo e Ele conhece bem as nossas necessidades.


Na economia da salvação, o nosso Pai cuida de cada alma com amor e delicadeza: cada um recebeu de Deus o seu próprio dom; uns de um modo, outros de outro. Portanto, podia parecer inútil cansarmo-nos, tentando apresentar ao Senhor algo de que Ele precise; dada a nossa situação de devedores que não têm com que saldar as dívidas, as nossas ofertas assemelhar-se-iam às da Antiga Lei, que Deus já não aceita: Tu não quiseste os sacrifícios, as oblações e os holocaustos pelo pecado, nem te são agradáveis as coisas que se oferecem segundo a Lei.



Mas o Senhor sabe que o dar é próprio dos apaixonados e Ele próprio nos diz o que deseja de nós. Não lhe interessam riquezas, nem frutos, nem animais da terra, do mar ou do ar, porque tudo isso lhe pertence. Quer algo de íntimo, que havemos de lhe entregar com liberdade: dá-me, meu filho, o teu coração. Vedes? Se compartilha, não fica satisfeito: quer tudo para si. Repito: não pretende o que é nosso; quer-nos a nós mesmos. Daí – e só daí – advêm todas as outras ofertas que podemos fazer ao Senhor. (Cristo que passa, 35)

Temas para reflectir e meditar

Orgulho


O verdadeiro remédio para nos curar-mos do orgulho, consiste em manter baixo e contrariar a susceptibilidade do espírito.



(SÃO FILIPE DE NÉRI, The Maxim’s of St Philip Neri, F. W. Faber Cromwell Press SN12 8PH Julho nr. 9, trad AMA)



Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 2, 23-28

23 Ora num dia de sábado, indo Jesus através das searas, os discípulos puseram-se a colher espigas pelo caminho. 24 Os fariseus diziam-lhe: «Repara! Porque fazem eles ao sábado o que não é permitido?» 25 Ele disse: «Nunca lestes o que fez David, quando teve necessidade e sentiu fome, ele e os que estavam com ele? 26 Como entrou na casa de Deus, ao tempo do Sumo Sacerdote Abiatar, e comeu os pães da oferenda, que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e também os deu aos que estavam com ele?» 27 E disse-lhes: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. 28 O Filho do Homem até do sábado é Senhor.»

Comentário:

A grande diferença que existe entre os chefes do povo judaico e Jesus Cristo é o critério.

Os primeiros “agarram-se” à letra da Lei e nem se preocupam em interpretá-la e, na verdade, deveriam ter essa preocupação porque transmitir a outros – ou impor, o que é pior – algo que não se explica nem se dá a razão porque deve ser assim, é uma prepotência que coarcta a liberdade de escolha.

Jesus Cristo explica e aconselha, interpreta e indica o caminho, segui-lo ou não depende de cada um.

O Senhor respeita a liberdade do homem precisamente porque foi Ele quem lha deu e não pode ir contra a Sua própria Vontade.

(ama, comentário sobre Mc 2, 23-28, 17.01.2017)







Leitura espiritual

Jesus Cristo o Santo de Deus

Capítulo III

ACREDITAS?

A divindade de Cristo no Evangelho de S. João


1.       «Bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de Mim»

Ninguém pode, portanto, tornar-se crente, segundo esta perspectiva, sem caminhar para Cristo no Seu estado de submissão, como sinal de escândalo e objecto de fé.

Ele ainda não voltou na Sua Glória e é para sempre Aquele que Se rebaixou.
A esta visão falta qualquer coisa, é verdade.
Falta a atenção que é devida à Ressurreição de Cristo.
Nós, hoje, encontramos Aquele que Se rebaixou e que foi exaltado, e não somente Aquele que foi rebaixado.
Falta também. a devida atenção ao testemunho apostólico.
O Espírito Santo -Dizia Jesus - «dará testemunho de Mim, e também vós dareis testemunho de Mim» [i].
Nós somos testemunhas desses factos – dizias. Pedro, falando da Ressurreição de Cristo- tanto nós como o Espírito Santo que Ele deu aqueles que a Ele se submeteram [ii].
Por isso não é de todo exacto dizer-se que não há senão uma prova do cristianismo: a prova interior, o argumentum Spirictus Sancti» [iii].
Há uma prova invisível constituída pelo testemunho do Espírito e uma prova exterior diferente, mas também ela importante, constituída pelo testemunho dos Apóstolos.
Para além da dimensão pessoal, existe na fé uma dimensão comunitária:
«O que nós vimos e ouvimos, nós vo-lo anunciamos, para que também vós estejais em comunhão connosco» [iv].
A afirmação de Kierkegaard, segundo a qual a única verdadeira relação com Cristo não acontece graças aos “dezoito séculos” de história do cristianismo, mas sim graças à contemporaneidade, é uma afirmação que deve ser esclarecida.
Os dezoito séculos de história e a contemporaneidade não devem contrapor-se, mas manter-se unidos.
A contemporaneidade, tal como a entende o Novo Testamento, não é outra coisa senão o Espírito Santo que é precisamente a presença e a permanência de Jesus no mundo e Aquele que «permanece connosco para sempre» [v]; os dezoito séculos – agora já á passados vinte – em termos teológicos, não são outra coisa senão a Igreja.
Na perspectiva católica, por isso, o Espírito Santo e a Igreja são as condições peculiares da possibilidade da nossa relação com Cristo, relação que se torna importante, é verdade, somente através da fé e da imitação do modelo que é Cristo.

Porém, não obstante estas reservas, existe naquela descrição da fé na divindade de Cristo um profundo elemento de verdade, do qual é necessário tomarmos consciência, especialmente nós católicos.
De facto, que queriam dizer, em palavras mais simples, todas aquelas afirmações de Kierkegaard sobre o crer enquanto contemporâneos?
Queriam dizer que crer na divindade de Cristo é tarefa de cada um de nós,
Crer em situações de contemporaneidade significa também crer na solidão.
A divindade de Cristo – dizia eu mais tarde – é o Evereste da fé.
Mas na escalada deste Evereste não há carregadores, “sherpas” para nos transportarem a nós e à nossa bagagem até uma determinada cota, deixando-nos somente a tarefa de caminharmos os últimos metros.
Cada um de nós deve fazer por completo essa escalada.
Trata-se, na verdade, de um salto infinito, onde um século ou um milénio a mais nada acrescentam ou diminuem.
O facto de serem apenas dois, ou dois biliões, os que creem, isso não muda essencialmente a dificuldade dessa tarefa.
É claro que se houver outros crentes à nossa volta, isso pode servir-nos de ajuda na nossa crença, mas tal não é ainda crer naquele sentido peculiar que tem por motivo somente Deus.
Não podemos, por isso, raciocinar que os crentes que nos antecederam tivessem tido a tarefa mais difícil e a nós coubesse somente trabalho de concluir o seu esforço.
Se assim fosse, deveria ser progressivamente cada vez mais fácil acreditar em Cristo, à medida que se avança na história; pelo contrário, verificamos que não é isso que sucede.
Não é mais fácil ou mais difícil crer hoje que nos tempos de João, de Atanásio, ou de Lutero.
Tudo assenta sobre a “força demonstrativa que tem de per si a Palavra de Deus operante nas palavras e nos actos de Jesus” e sobre o facto que ela encontre ou não uma disposição para a acolher.

Não há dúvida que existem “sinais” e “actos”.
Jesus aponta frequentemente para eles.
Jesus dizia que, ao menos, acreditassem nas Suas obras, e que se Ele não tivesse feito tantos milagres, persistiam mil razões para permanecer na incredulidade.
«Apesar de tantos prodígios que fizera na sua presença, não acreditavam n’Ele» diz o Evangelista [vi].
A história do cego de nascença serve para ilustrar precisamente Este facto: que mesmo perante o mais clamoroso dos milagres permanece a possibilidade de alguém se abrir ou fechar para a luz.
Uma outra vez, tinha Jesus acabado de fazer o grande prodígio da multiplicação dos pães, e já alguns Lhe faziam a seguinte pergunta:
«Que milagres fazes Tu, para que possamos crer em Ti» [vii], como se o milagre acabado de fazer não tivesse relevância.
De resto, é o próprio Jesus que nos põe de sobreaviso em relação a uma fé baseada somente nos milagres; desconfia daqueles que, se não virem prodígios, não creem [viii]. E quando alguns, «vendo os milagres, acreditaram n’Ele, diz o Evangelista que Jesus não acreditava neles» [ix].

É, preciso, portanto, não depreciar os sinais.
Se existe uma certa predisposição interior para reconhecer a Verdade, as obras de Cristo são a prova evidente de que nelas age o próprio poder divino e que, por consequência, Jesus era o Mediador de vida eterna.
Mas que peso poderiam ter essas obras e esses prodígios, fora do momento em que foram feitos?
Bastariam para se concluir que se tratava de Deus em pessoa?
O mundo helenístico não conhecia ele também tantos outros taumaturgos, isto é, operadores de prodígios?
Por isso é preciso concluir que, para S. João, as obras de Cristo não se resumiam a algumas curas esporádicas, mas a toda a Sua obra, de ter trazido à terra a vida eterna.
Quem escutava a boa nova era convidado a considerar se, de facto, não se poderia encontrar na Igreja um novo género de vida [x].
Mas tal experiência só poderia ser feita indo ao encontro de Cristo, isto é, acreditando n’Ele.
E isto demonstra, mais uma vez, que somente na fé se obtém o conhecimento suficiente sobre Jesus e que a fé é testemunho de si mesma.

(cont)

rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.




[i] Jo 15, 26-27
[ii] Cf. Act 5,12
[iii] Cf. S. Kierkegaard, Diário, ário, X I A, 481
[iv] 1 Jo 1,3
[v] Jo 14,16
[vi] Jo 12,37
[vii] Jo 6,36
[viii] Cf. Jo 4,48
[ix] Cf. Jo 2,23
[x] Ch. C. H. Dodd, op. Cit., P. 409

Doutrina – 393

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

A Igreja é una, santa, católica e apostólica

171. Que significa a afirmação: «Fora da Igreja não há salvação»?



Significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu corpo. Portanto não poderiam ser salvos os que, conhecendo a Igreja como fundada por Cristo e necessária à salvação, nela não entrassem e nela não perseverassem. Ao mesmo tempo, graças a Cristo e à sua Igreja, podem conseguir a salvação eterna todos os que, sem culpa própria, ignoram o Evangelho de Cristo e a sua Igreja mas procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade, conhecida através do que a consciência lhes dita.

Devoción a la Virgen



Lo que Murillo aportó a la Inmaculada… por influencia de Santa Beatriz de Silva

Hoy el reto del amor es que te pongas el buzo en la tarea escondida

NO TENGAS MIEDO A LLEVAR "BUZO" 

Cristo es para todos, mayores y pequeños, pero, claro, el reto, para los más pequeños de la casa, se hace muchas veces incomprensible... Pues bien, el Señor nos ha puesto en el corazón un proyecto con el que invitar a los "peques" a vivir de Cristo. Un proyecto... ¡con marionetas!

Muy entusiasmadas y sin saber apenas por dónde empezar, nos pusimos ayer manos a la obra. El comienzo fue bastante pintoresco, pues las que manejábamos a las marionetas nos tuvimos que vestir con unos buzos verdes; es decir, color chroma. ¿Para qué? Para después desaparecer al hacer el montaje en el ordenador.

Con los buzos y la marioneta nos veíamos ridículas; de hecho, ocupamos más tiempo en reír que en grabar. Sin embargo, me impresionó mucho cuando pasamos las grabaciones al ordenador y se eliminó todo aquello que tenía el color verde: ¡desaparecimos nosotras! Y se veía a cada marioneta moverse a sus anchas como si de repente cobrase vida en la pantalla.

Al ver las imágenes y el efecto que causaban, me quedé pensando en los buzos. Buzos que te hacen desaparecer para luego crear algo maravilloso... Y es que, a lo largo del día, se nos presentan muchas situaciones en las que tenemos que vestirnos con el buzo para luego desaparecer. Situaciones en las que se nos pide un trabajo escondido, e incluso ridículo, comparado con todo aquello que podemos "llegar a ser o hacer". Y así nos comparamos, queremos llegar a más, ser considerados... y, lo que no se ve, nos cansa, nos aburre o no nos interesa.

Sin embargo, Cristo te invita a que disfrutes del buzo que te toca llevar en clase o en el trabajo. Puede que tengas que mover los brazos del jefe o de un compañero para que "brillen" ellos, o hacer algo en lo que ni siquiera te verán ni valorarán "tus resultados", pero con Él todo es diferente.

Cristo tiene ese botón del ordenador que hace que veas todo lo maravilloso que hay detrás de cada trabajo, por pequeño que sea: es el botón del Amor, el botón que te va a plenificar. Ponerte el buzo para que se le vea a Él detrás de todo, para que todo cobre vida desde el Amor, desde cuidar los detalles pequeños, desde la sonrisa o el gesto de cariño hacia los demás "buzos verdes" con los que te encontrarás.

Hoy el reto del amor es que te pongas el buzo en la tarea escondida que tengas entre manos, que pongas Amor. Si te pones el buzo, no te importarán tus resultados hacia los demás, sino el haber sido instrumento que muestra el corazón de Cristo en lo que haces. Que hoy preparar la comida, conducir tu taxi, peinar cabezas, visitar enfermos... no sea como un día más. Que, cuando tenga que desaparecer tu buzo... sea Cristo el que brille.


VIVE DE CRISTO