30/11/2016

Conversei com Ele?

É possível que te assuste esta palavra: meditação. Faz-te lembrar livros de capas negras e velhas, ruído de suspiros ou rezas como cantilenas rotineiras... Mas isso não é meditação. Meditar é contemplar, considerar que Deus é teu Pai, e tu seu filho, necessitado de ajuda; e depois dar-lhe graças pelo que já te concedeu e por tudo o que te há-de dar. (Sulco, 661)


Para o teu exame diário: – Deixei passar alguma hora sem falar com o meu Pai, Deus? – Conversei com Ele com amor de filho? Acredita que és capaz!! (Sulco, 657)


O único meio de conhecer Jesus: privar com Ele! N'Ele encontrarás sempre um Pai, um Amigo, um Conselheiro e um Colaborador para todas as actividades honestas da tua vida quotidiana...

E, com esse convívio, gerar-se-á o Amor. (Sulco, 662)

"Fica connosco, porque anoitece!...". Foi eficaz a oração de Cléofas e do companheiro.


Que pena, se tu e eu não soubéssemos "deter" Jesus que passa! Que dor, se não Lhe pedirmos que fique connosco! (Sulco, 671)

Temas para meditar - 671

Rectidão de intenção


Aquele que actua sempre com espírito de obediência pode estar seguro que não terá de dar a Deus contas das suas acções.


S. filipe de neri Maxim’s F. W. Faber Cromwell Press SN12 8PH nr. 4-17

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Lc 21, 34-36

34 «Velai, pois, sobre vós, para que não suceda que os vossos corações se tornem pesados com o excesso do comer e do beber e com os cuidados desta vida, e para que aquele dia não vos apanhe de improviso; 35 porque ele virá como uma armadilha sobre todos os que habitam a superfície de toda a terra. 36 Vigiai, pois, orando sem cessar, a fim de que vos torneis dignos de evitar todos estes males que devem suceder, e de aparecer com confiança diante do Filho do Homem»

Comentário:

Jesus Cristo não dramatiza, mas avisa solene e seriamente sobre a necessidade de vigiar e orar sem descanso.


Para ser-mos dignos de evitar os males que anuncia e ganhar-mos a confiança para nos apresentar-mos na Sua presença Ele próprio nos diz como fazer:


«Velai, pois, sobre vós, para que não suceda que os vossos corações se tornem pesados com o excesso do comer e do beber e com os cuidados desta vida»


Livres de amarras e nós apertados, de preocupações excessivas com o bem-estar e a vida diária, das amizades dúbias, agindo com critério simples e bem informado.

(ama, comentário sobre Lc 21, 34-36, 28.09.2016)






Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO X
SE É POSSÍVEL ENSINAR ALGO SEM SINAIS.
AS COISAS NÃO SE APRENDEM PELAS PALAVRAS

AGOSTINHO

– Lembras quantas voltas demos para chegar a tão modesto resultado? Desde o começo da nossa conversa, que dura já um bom tempo, fatigamo-nos bastante para descobrir estas três coisas:
1) se era possível ensinar sem sinais;
2) se havia sinais preferíveis às coisas que expressam;
3) se o conhecimento das coisas pode ser melhor que os sinais.
Mas há ainda uma quarta que gostaria de saber agora: se as coisas que encontramos, estão para ti claras e não te deixam possibilidade de dúvida.

ADEODATO
– Seria mesmo agradável, depois de tantos rodeios, que tivéssemos chegado à certeza, mas esta pergunta gera em mim certa inquietação, que me impede de assentir.
Tenho a impressão que tal não me perguntarias se não tivesses alguma objeção a apresentar: e o emaranhado do assunto não me permite ver tudo e responder com segurança, pois, entre tantos véus, temo que se esconda algo que os olhos da minha mente não possam divisar.

AGOSTINHO

– Agrada-me a tua dúvida, porque revela uma alma sem leviandade, e isto garante imensamente a tranquilidade.
É de facto difícil não se perturbar quando o que nós tínhamos como ponto de consenso fácil e pacífico é derrubado e como que arrebatado das mãos por discussões.
Por isso, como é justo ceder depois de observar e examinar bem os motivos, assim é perigoso conservar como coisa certa o que não é.
Às vezes, quando desmorona aquilo que tínhamos como estável e permanente, pode haver o receio que se gere tão grande aversão ou medo da razão, que nos pareça não podermos mais depositar nossa fé nem sequer na verdade mais evidente.
Mas, vamos adiante?
Reexaminemos, agora um pouco mais rapidamente, se tens razão de duvidar.
Pergunto: se alguém, que não conheça as armadilhas que se tendem aos pássaros com varas e visco, deparasse com um caçador com este arnês, e que vá indo pelo caminho sem ter começado ainda a sua tarefa e, vendo o caçador, apressasse o passo, e estranhando no seu íntimo tudo aquilo, se perguntasse o que poderiam significar aqueles apetrechos; e o caçador, sentindo-se observado e admirado, para fazer mostra de si, exibisse a cana e o falcão, conseguisse atrair e apanhar um passarinho, diga-me: o caçador, sem usar de sinais, mas usando a própria coisa, não estaria a ensinar ao seu espectador o que esse queria saber?

ADEODATO

– Parece-me que o caso é semelhante àquele que mencionei, isto é, de quem pergunta o que é caminhar.
Neste caso também não acho que foi mostrada toda a arte de caçar.

AGOSTINHO

– É simples desfazer-se desta impressão; eu acrescento: se aquele espectador fosse inteligente o bastante para compreender por inteiro a arte de caçar só pelo que viu, isto bastaria para demonstrar que alguns homens podem ser ensinados sem sinais sobre algumas coisas, embora não sobre todas.

ADEODATO

– No caso, também posso acrescentar isto: quem pergunta o que é caminhar, se for bem inteligente, compreenderá por inteiro o que é caminhar, bastando que se lhe mostrem uns poucos passos.

AGOSTINHO

– Podes, eu concordo com prazer.
Chegamos, pois, a esse resultado, ou seja, que umas coisas podem ser ensinadas sem sinais, sendo portanto falso aquilo que há pouco nos parecia verdadeiro, isto é, não existir nada que se possa mostrar ou ensinar sem sinais; e acode à nossa mente não uma ou duas coisas, mas milhares que, sem precisar de sinal algum podem mostrar-se por si mesmas.
Poderemos, pois, duvidar, eu te pergunto?
Sem considerar os muitos espectáculos em que uns actores representam nos teatros as coisas sem usar sinais, Deus e a natureza não apresentam e mostram por si mesmos, ao observador, o sol e a luz, que tudo banha e recobre, a lua e as estrelas, a terra e os mares com infinidade de criaturas que os habitam?

Todavia, se observarmos isto com maior atenção, talvez não encontremos nada que se possa aprender pelos seus próprios sinais.
De facto, se me for apresentado um sinal e eu não souber de que coisa é o sinal, este nada poderá me transmitir; se, ao contrário, já souber de que é sinal, que estará me ensinando?
Assim, quando leio “Et saraballae eorum non sunt immutatae” (E as suas coifas não foram trocadas), a palavra (coifas) não me explica a coisa que significa.
Pois se uns objectos que servem para cobrir a cabeça têm este nome de ‘saraballae” (coifas), terei porventura, depois de ouvi-lo, aprendido o que é cabeça e o que é cobertura?
Ao contrário, eu já as conhecia antes, pois delas adquiri conhecimento sem que as ouvisse chamar assim por outrem, mas vendo-as com os meus próprios olhos.
Quando as duas sílabas da palavra “caput” (cabeça) soaram pela primeira vez ao meu ouvido, desconhecia o seu significado como quando ouvi e li pela primeira vez “saraballae”.
Porém, ouvindo repetidamente dizer “caput” (cabeça), e notando e observando a palavra quando era pronunciada, reparei facilmente que ela significava aquela coisa que eu bem conhecia, por tê-la visto.
Mas antes de entender seu significado, a palavra era para mim apenas um som, e aprendi que era um sinal quando a associei àquilo de que era sinal, e aprendi o seu significado pela visão directa do objecto.
Vemos, pois, que é mais pelo conhecimento da coisa que se aprende o sinal do que o contrário.
Para que compreendas isto com maior clareza, imagina que estejamos ouvindo agora, pela primeira vez, pronunciar a palavra “caput” (cabeça).
(Lembra-te que buscamos o conhecimento não da coisa que é significada, mas do próprio sinal, conhecimento que nós não temos enquanto ignorarmos o que sinaliza).
Se, na nossa pesquisa, nos mostrassem ou apontassem com o dedo a própria coisa, ao vê-la teríamos conhecimento do sinal; isto é, saberíamos o que quer dizer aquele sinal que tínhamos ouvido, mas não compreendido. No sinal há duas coisas: o som e o significado; ora, o som não foi certamente recebido como sinal de algo, mas como simples
verberação no ouvido, enquanto o significado foi apanhado pela visão da coisa que é significada.
Como o apontar do dedo só pode significar o objecto que o dedo está apontando, e como o dedo não está apontado pelo sinal, mas para a parte do corpo que se chama “caput” (cabeça), ocorre que, pelo gesto, não venho a conhecer a coisa, que já conhecia, nem o sinal que o dedo não estava apontado.
Mas não quero colocar grande ênfase no gesto de apontar o dedo, pois o tenho mais como sinal do acto de indicar do que das próprias coisas indicadas; vê o que ocorre quando dizemos: “ecce” (eis), e habitualmente acompanhamos este advérbio com o gesto de apontar como se não bastasse um só desses sinais para indicar.
E procurarei ao máximo convencer-te, se o puder, disto: que nada aprendemos por meio dos sinais chamados palavras; antes, como já disse, aprendemos o valor da palavra, ou seja, o significado oculto no som pelo conhecimento ou da percepção da coisa significada; mas não a própria coisa mediante o significado.
E o que disse da cabeça, poderia dizer do que serve para cobrir a cabeça e de infindáveis outras coisas; que, embora as conhecesse, nunca, até agora, tive o conhecimento daquelas “saraballae” (coifas). Se alguém com um gesto me apontasse estas “saraballae” (coifas) ou as pintasse, ou me mostrasse algo de parecido, não diria, como aliás poderia se quisesse falar um pouco mais, que não mas ensinou, mas que não me ensinou com as palavras o que está diante de mim. Se, ao tê-las diante de mim eu fosse avisado com as palavras:
Ecce saraballae” (eis as coifas), aprenderia uma coisa que não sabia, não pelas palavras que foram pronunciadas, mas pela visão directa da coisa em si, à qual associei o nome, cujo valor gravei.
Pois, quando aprendi a própria coisa, não acreditei nas palavras de outrem, mas nos meus olhos; talvez acreditasse também nelas, mas apenas como um alerta, ou seja, para procurar com os olhos o objecto em questão.


(Revisão de versão portuguesa por ama

O Advento 2016

O Advento é assim como que uma gravidez da humanidade!

Uma gravidez provoca sempre na mulher mudanças, não só físicas, mas também de pensamentos, de comportamento, de sensibilidade, de entrega, enfim, toca todo o ser da mulher grávida.
Mas também toca o homem na devida proporção, ou seja, na sua disponibilidade, na sua entrega, na sua maneira de proceder, e por isso, também, em todo o seu ser.
A gravidez numa família provoca sempre um reflectir, um repensar, um reagir, um encontrar caminho, um preparar e acautelar o futuro, uma correcção de vícios e defeitos, no fundo, uma mudança, por vezes radical, ao encontro de algo melhor, algo que traz amor, paz e felicidade.
E, claro, a gravidez é sempre um tempo de espera de algo que, sabemo-lo intimamente, vai mudar as nossas vidas, vai preencher as nossas vidas, vai completar as nossas vidas, vai trazer mais amor e felicidade às nossas vidas.

Por isso a primeira frase: O Advento é assim como que uma gravidez da humanidade!

Já sabemos que Ele vem, mesmo já estando no meio de nós.
Estamos assim, “grávidos” de esperança!
Se estamos “grávidos” de esperança, temos que proceder como “grávidos”, e este é o tempo para isso mesmo.
«Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas.» Lc 3, 4

É então o tempo de reflectir, de repensar, de reagir, de reencontrar caminho, para preparamos e acautelarmos o dia-a-dia do nosso futuro, no nosso encontro pessoal, diário, em cada momento, com Jesus Cristo, Nosso Senhor, que vem/veio ao mundo para nossa salvação.
Preparemos o caminho, “endireitando” os nossos erros, os nossos vícios, os nossos defeitos, e arrependidos, abeiremo-nos da Confissão, para encontrarmos o perdão e a reconciliação, e assim preparamos o coração para o recebermos, como um presépio de amor.
Só assim esta “gravidez de esperança” chegará a bom termo, e só assim ouviremos naquela Santa Noite os anjos a cantarem - «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade» - e correremos pressurosos, misturados com os pastores, misturados com todos e cada um, numa grande família, (a família de Deus), ao encontro do Salvador que nos foi dado, pelo amor do Pai, no Espírito Santo!

Um Santo Advento para todos, na certeza de que esta “gravidez de esperança” acontece sempre que levantamos o nosso coração para Deus.


Marinha Grande, 15 de Novembro de 2016
Joaquim Mexia Alves

Texto publicado no Boletim da Paróquia da Marinha Grande - "Grãos de Areia"
.

Lições de São João Paulo II - 6

Lições de São João Paulo II



6 – No mistério da Redenção o homem é novamente “reproduzido” e, de algum modo, é novamente criado.



(12 Lições de são joão paulo II)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






29/11/2016

Não basta seres bom; tens de parecê-lo

Não basta seres bom; tens de parecê-lo. Que dirias tu de uma roseira que não produzisse senão espinhos? (Sulco, 735)

Compreendeste o sentido da amizade quando te sentiste como pastor de um pequeno rebanho, que tinhas abandonado, e que procuras agora reunir novamente, disposto a servir cada um. (Sulco, 730)

Não podes ser um elemento passivo. Tens de converter-te em verdadeiro amigo dos teus amigos: ajudá-los! Primeiro, com o exemplo da tua conduta. E, depois, com o teu conselho e com o ascendente que a intimidade dá. (Sulco, 731)

Pensa bem nisto, e age em conformidade: essas pessoas, que te acham antipático, deixarão de pensar assim quando repararem que as amas deveras. Depende de ti. (Sulco, 734)


Consideras-te amigo porque não dizes uma palavra má. É verdade; mas também não vejo em ti uma obra boa de exemplo, de serviço...

– Estes são os piores amigos. (Sulco, 740)

Temas para meditar - 677

Quaresma


Ainda que em todo o tempo seja necessário aplicar-se na santificação do corpo, agora sobretudo, durante os jejuns da Quaresma, deveis aperfeiçoar-vos pela prática de uma piedade mais activa. 

Dai esmola, que é muito eficaz para corrigir-nos das nossas faltas; mas perdoai também as ofensas, abandonai as queixas contra aqueles que vos fizeram algum mal. 




(SÃO Leão magnoSermão 45 sobre a Quaresma)

Evangelho e comentário




Tempo do Advento

Evangelho: Lc 10, 21-24

21 Naquela mesma hora Jesus exultou de alegria no Espírito Santo, e disse: «Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos simples. Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 22 Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai, nem quem é o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar». 23 Depois, tendo-Se voltado para os discípulos, disse: «Felizes os olhos que vêem o que vós vedes. 24 Porque Eu vos afirmo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram, ouvir o que vós ouvis e não o ouviram».

Comentário:

É bem verdade o que o Senhor diz aos Seus discípulos mas, também é verdade que nós – cristãos – somos ainda mais felizes não só porque conhecemos a Verdade – que é Cristo – como O podemos receber na Sagrada Comunhão.


Mais que estar na Sua presença, como então estavam os discípulos - e nós também podemos e devemos estar contemplando o Sacrário, - podemos comungar o Seu Corpo, Alma e Divindade.


A Comunhão Eucarística é, sem dúvida, o maior bem que podemos aspirar ter.


(ama, comentário sobre Lc 10,21-24, 28.09.2016)






Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO X

SE É POSSÍVEL ENSINAR ALGO SEM SINAIS.
AS COISAS NÃO SE APRENDEM PELAS PALAVRAS

AGOSTINHO

– Parece-te que podemos indicar, sem uso de sinais, tudo que podemos fazer, logo após sermos interrogados, ou algo deve ser excluído?

ADEODATO

– Na verdade, tenho pensado muito neste género de coisas, sem, todavia encontrar nada que se possa ensinar sem sinal, executando, talvez, o próprio falar e ensinar, mas este só se nos perguntarem o que é ensinar.
Parece-me que quem pergunta – qualquer coisa que eu faça após a indagação para que aprenda – não o pode aprender através da própria coisa, que deseja lhe seja mostrada.
Por exemplo: se quando estou fazendo outra coisa, alguém me perguntasse que é caminhar e eu, imediatamente, buscasse demonstrar-lhe a coisa sem usar sinais começando a caminhar, como poderia evitar que ele entendesse que caminhar é apenas o quando andei?
Ora, se ele pensar nisso, terá sido levado a engano, pois julgará que quem andar mais, ou menos, do quanto eu andei, não caminhou.
E o que vale quanto a esta palavra aplica-se também a todas aquelas que julguei se possam mostrar sem sinal, menos as duas que exclui.

AGOSTINHO

– Concordo com isso, mas não te parece que falar é uma coisa e ensinar é outra?

ADEODATO

– Certamente, pois se fossem a mesma coisa não se poderia ensinar senão falando; ora, como muitas coisas são ensinadas com outros sinais que não palavras, quem poderia negar a diferença?

AGOSTINHO

– Ensinar e significar são a mesma coisa ou diferem em algo?

ADEODATO

– Creio que a mesma.

AGOSTINHO

– Será correcto afirmar que nós usamos de sinais (que significamos) para ensinar?

ADEODATO

– Sem dúvida.

AGOSTINHO

– Se alguém afirmasse que ensinamos para usar sinais (para significar), não seria facilmente refutado pela afirmação precedente?

ADEODATO

– Seria.

AGOSTINHO

– Se usarmos, pois, os sinais para ensinar, não ensinamos para usar os sinais: uma coisa é ensinar e outra é usar os sinais (significar)

ADEODATO

– É verdade, e quando disse que eram a mesma coisa, eu não respondi correctamente.

AGOSTINHO

– Agora, responde a isto: quem ensina o que é ensinar o faz usando sinais ou outro modo?

ADEODATO

– Não vejo como o poderia fazer diversamente.

AGOSTINHO

– Não é, pois, verdade a tua afirmação anterior, isto é, que não se pode ensinar sem sinais a quem indague o que é ensinar, porque constatamos que nem mesmo isto podemos fazer sem usar sinais, pois me concedeste que uma coisa é usar sinais (significar) e outra ensinar.
Se são coisas distintas e uma se mostra pela outra, quer dizer que certamente não se mostra por si mesma, como te pareceu.
Portanto até aqui nada encontramos que se mostre por si mesmo, salvo a palavra que, entre as outras coisas, significa também a si mesma; mas como ela também é um sinal, parece nada haver que possa ensinar-se sem sinais.

ADEODATO

– Nada tenho a opor.

AGOSTINHO

– Concluímos então que nada pode ser ensinado sem sinais, e que o próprio conhecimento tem de ser, para nós, mais caro que os sinais pelos quais o obtemos, embora nem todas as coisas que eles exprimem devam ser preferidas aos seus próprios sinais.

ADEODATO

– Parece ser assim mesmo.


(Revisão de versão portuguesa por ama

Lições de São João Paulo II - 5

Lições de São João Paulo II



5 – O homem não pode viver sem o amor.


Ele permanece para si mesmo um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se não o torna algo seu próprio.



(12 Lições de são joão paulo II)

(revisão da versão portuguesa por ama)

Jesus Cristo e a Igreja – 135

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

IV. O CELIBATO NA DISCIPLINA DAS IGREJAS ORIENTAIS

A fragmentação do sistema disciplinar no Oriente

…/14

A Legislação do II Concílio Trullano.

…/8


Cân. 30: Permite que os que, com consentimento mútuo, querem viver continentes, não devem habitar juntos; isso é válido também para os sacerdotes que residem em países bárbaros (isso é entendido como os que vivem no território da Igreja Ocidental). Esse compromisso assumido é, no entanto, uma dispensa dada a esses sacerdotes pela sua pusilanimidade e pelos costumes das pessoas em redor.


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão

TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





28/11/2016

Que nunca deixe de praticar a caridade

Não é compatível amar a Deus com perfeição e deixar-se dominar pelo egoísmo – ou pela apatia – na relação com o próximo. (Sulco, 745)

A verdadeira amizade implica também um esforço cordial por compreender as convicções dos nossos amigos, mesmo que não cheguemos a partilhá-las nem a aceitá-las. (Sulco, 746)

Nunca permitas que a erva ruim cresça no caminho da amizade: sê leal. (Sulco, 747)

Um propósito firme na amizade: que no meu pensamento, nas minhas palavras, nas minhas obras para com o próximo – seja ele quem for –, não me comporte como até agora, quer dizer, nunca deixe de praticar a caridade, nunca dê entrada na minha alma à indiferença. (Sulco, 748)

A tua caridade deve ser adequada, ajustada, às necessidades dos outros...; não às tuas. (Sulco, 749)

Filhos de Deus! Uma condição que nos transforma em algo mais transcendente do que em simples pessoas que se suportam mutuamente... Escuta o Senhor: "Vos autem dixi amicos!" – somos seus amigos, que, como Ele, dão gostosamente a vida pelos outros, tanto nas horas heróicas como na convivência corrente. (Sulco, 750)


Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Mt 8, 5-11

5 Tendo entrado em Cafarnaum, aproximou-se d'Ele um centu­rião, e fez-Lhe uma súplica, 6 dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre muito». 7 Jesus disse-lhe: «Eu irei e o curarei». 8 Mas o centurião, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; diz, porém, uma só palavra, e o meu servo será cu­rado. 9 Pois também eu sou um homem sujeito a outro, mas tenho sol­dados às minhas ordens, e digo a um: “Vai”, e ele vai; e a outro: “Vem”, e ele vem; e ao meu servo: “Faz isto”, e ele o faz». 10 Jesus, ouvindo estas palavras, admirou-Se, e disse para os que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não achei fé tão grande em Israel. 11 Digo-vos, pois, que virão muitos do Oriente e do Ocidente, e se sentarão com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus,

Comentário:

É interessante que a Liturgia tenha escolhido para o terceiro dia do Advento justamente este trecho de São Mateus.


De alguma forma começou um ciclo especial de espera e esperança e para que esta espera e esta esperança sejam de facto vivas e actuantes a Fé “joga” um papel importantíssimo.


Sem uma Fé sólida e coerente como a do Centurião dificilmente podemos preparar-nos para receber condignamente O que há-de vir: o Nosso Salvador

(ama, comentário sobre Mt 8, 5-11, 01.12.2014)






Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO IX

SE DEVEMOS PREFERIR AS COISAS, OU O

CONHECIMENTO DELAS, AOS SINAIS

AGOSTINHO

– Queria, pois, que bem compreendesse que são mais importantes as coisas significadas do que seus sinais.
Tudo o que existe em função de outra coisa, necessariamente tem valor menor que a coisa pela qual existe, se concordas com isso.

ADEODATO

– Parece-me impróprio concordar com isto sem refletir.
Quando, por exemplo, se diz:
coenum” (lamaçal), parece-me que este nome seja em muito superior à coisa que significa.
De facto, o que desagrada ao ouvirmos esta palavra não é o som; “coenum”, mudando apenas uma letra, torna-se “coelum” (céu), mas é evidente a enorme diferença que há entre as coisas que estes dois nomes significam. Por isso eu não teria por essa palavra toda a repulsa que tenho ao que significa, e, portanto, eu a prefiro a isso; pois menos desagrada o seu som do que ver ou tocar a coisa que significa.

AGOSTINHO

– Falas com sabedoria. Assim, não seria correcto afirmarmos que todas as coisas têm valor superior aos sinais que as exprimem.

ADEODATO

– Assim parece.

AGOSTINHO

– Diz-me, então, qual seria a intenção dos que deram um nome a coisa tão feia e desagradável? Tu os aprovas ou desaprovas?

ADEODATO

– Na verdade, não me acho em condição nem de aprová-los nem de desaprová-los, e também não sei que intenção tiveram.

AGOSTINHO

– Poderás, ao menos, dizer-me qual a tua intenção, a finalidade de pronunciares esse nome?

ADEODATO

– Sim; ao pronunciá-lo, quero avisar ou ensinar ao meu interlocutor aquilo que julgo necessário avisá-lo ou ensiná-lo.

AGOSTINHO

– Como? O facto de ensinar e avisar, ou de receber tal ensinamento, facilmente expresso com este nome, não deveria talvez ser-te mais caro que a própria palavra?

ADEODATO

– Admito que o conhecimento obtido por este sinal seja preferível ao próprio sinal, mas não preferível à coisa em si.

AGOSTINHO

– Então, no que acima afirmamos, embora seja falso que devemos sempre preferir as coisas aos seus sinais, é verdade que tudo o que existe em função de outra coisa tenha valor menor que a coisa pela qual existe.
O conhecimento, pois, do lamaçal, para o qual foi instituído esse nome, há de ser considerado mais que a palavra que, por sua vez, vimos ser preferível ao próprio lamaçal. E é bem esse o motivo do conhecimento ser preferível ao sinal de que estamos tratando, pois este existe devido àquele e não aquele por causa deste.
Assim, aquele glutão, devotado ao ventre, conforme relata o Apóstolo, quando disse que vivia para comer, foi contestado por um homem sóbrio, que lhe ouviu as palavras e, não tolerando-as, assim o redarguiu:
“Bem melhor seria que comesses para viver”; e vemos que o sóbrio falou assim seguindo essa mesma regra (regra que estabelece que tudo o que é devido a outra coisa, como no caso de comer que é subordinado ao viver – é inferior à coisa pela qual existe).
O comilão desagradou porque avaliava tão miseravelmente sua vida, que a tinha em menor conta que os prazeres do paladar, afirmando viver para comer.
O homem sóbrio é digno de louvor porque, compreendendo qual das duas coisas (comer e viver) é feita para a outra, ou seja, qual está subordinada à outra, alertou que devíamos comer para viver e não viver para comer.
Do mesmo modo, tu e todo homem sensato que aprecie as coisas pelo seu valor e justo lado, se um charlatão afirmasse:
“Ensino para falar”, lhe responderias:
“Homem, não seria melhor falar para ensinar?”
Ora, se tais coisas são verdadeiras, como aliás reconheces, observa quanto as palavras têm menor importância, em comparação com aquilo por que as usamos; sendo que o próprio uso das palavras já é mais importante do que elas próprias.
As palavras, pois, existem para que as usemos, e as usamos para ensinar.
Por isso, ensinar é melhor que falar, e assim o discurso é melhor que a palavra.
Muito melhor que as palavras é, portanto, a doutrina.
Mas quero ouvir de ti se por acaso tenhas algo a opor.

ADEODATO

– Concordo em que a doutrina seja preferível às palavras; mas talvez se possa levantar objecção contra a regra que diz:
“tudo o que existe em função de outra coisa é inferior aquilo pelo qual existe”.

AGOSTINHO

– Trataremos disto a seu tempo e com mais detalhes: por enquanto, o que concedes já basta para que eu chegue aonde me proponho.
Concordas, pois, que o conhecimento das coisas é mais importante que os sinais que as exprimem.
Por isso, o conhecimento das coisas significadas deve ser preferido ao conhecimento dos sinais, não te parece?

ADEODATO

– Mas eu disse, por acaso, que o conhecimento das coisas não é superior ao dos sinais, ou melhor, que é superior aos próprios sinais?
Por isto hesito em concordar contigo neste ponto.
Se o nome “lamaçal” é melhor que seu significado, por que o conhecimento deste nome não haveria de ser também melhor que o da coisa, embora o nome em si seja inferior aquele conhecimento?
Lidamos aqui com quatro termos: nome, coisa, conhecimento do nome e conhecimento da coisa.
Como o primeiro é superior ao segundo, por que também o terceiro não seria superior ao quarto? E, em não lhe sendo superior, acaso lhe estaria subordinado?

(Revisão de versão portuguesa por ama)