26/05/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRO XIV

CAPÍTULO XIV

A soberba do transgressor foi mais grave do que a transgressão.

Mas pior e mais condenável é a soberba que até nos pecados manifestos procura a escapatória duma justificação. Foi assim que procederam os primeiros homens, dos quais a mulher disse:

serpente enganou-me e eu comi.[i]

e o homem disse:

A mulher que me deste por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi.[ii]

Em momento nenhum se ouve aqui um pedido de perdão, em momento nenhum se ouve uma solicitação de remédio. Embora não neguem como Caim o que cometeram, todavia, a soberba procura lançar sobre o outro o mal que fez — sobre a serpente a soberba da mulher, sobre a mulher a soberba do homem. Mas a justificação é antes uma acusação quando é manifesta a violação do mandamento divino. Nem deixaram de a cometer — a mulher porque a cometeu enganada pela serpente e o homem por a mulher lho pedir, como se se devesse preferir fosse o que fosse a Deus em quem se deve crer, a quem se deve obedecer.


CAPÍTULO XV

Justiça da sanção infligida aos primeiros homens devido à sua desobediência.

Deus legislador — que o tinha criado, que o tinha feito à sua imagem, que o tinha posto a presidir a todos os restantes seres animados, que o tinha colocado no Paraíso, que o tinha cumulado de saúde e de todos os bens, que não o tinha sobrecarregado com preceitos numerosos, pesados ou difíceis mas apenas com um tão simples e tão breve para garantir uma salutar obediência (com o qual lembrava a esta criatura — de quem mais não esperava que um serviço livre — que Ele é que era o Senhor) — este Deus foi desprezado pelo homem. A consequência foi uma justa condenação. E essa condenação foi tal que o homem, — que mesmo na sua carne seria espiritual caso guardasse o mandamento — tornou carnal o próprio espírito e ele, que, devido à sua soberba, em si mesmo tinha posto as suas complacências, a si mesmo foi entregue pela justiça de Deus. Em vez, porém, de se tornar senhor de si pró­prio e de adquirir a liberdade que desejava, entrou em discórdia consigo mesmo e sofreu uma dura e miserável servidão às ordens daquele a quem, ao pecar, obedecera. De livre vontade morreu no seu espírito — contra vontade morreu no seu corpo. Desertou da vida eterna e foi condenado à morte eterna — a não ser que desta seja libertado pela graça.

Se alguém considera excessiva ou injusta esta condenação, com certeza que não sabe apreciar quão grande fora a iniquidade ao pecar quando tão grande era a facilidade de não pecar. Assim com o com justiça se proclama a grande obediência de Abraão, porque era tão difícil a ordem de matar o filho — assim a desobediência no Paraíso foi tanto maior quanto menor era a dificuldade em obedecer. E assim como a obediência do segundo Adão foi tanto mais admirável porque se fez obediente até à morte — assim a desobediência do primeiro Adão foi tanto mais detestável porque se fez desobediente até à morte. Quando a pena decretada para a desobediência era grande e fácil a ordem do Criador — quem poderá descrever suficientemente a gravidade do mal que houve ao desobedecer numa coisa tão fácil a uma ordem de uma tão grande potestade e sob a ameaça de tamanho castigo?

Enfim e para o dizer em poucas palavras — que pena foi imposta neste pecado à desobediência senão a desobediência? Realmente, que mais é a miséria do homem do que desobediência dele próprio a ele próprio? Porque ele não quis o que podia, já não pode o que quer. Claro que no Paraíso nem tudo podia antes do pecado, mas o que não podia não queria: podia, portanto, tudo o que queria. Agora, porém, como vemos nos seus descendentes

o homem tomou-se semelhante ao vazio,[iii]

como o testemunha a Sagrada Escritura. Quem poderá, efectivamente, enumerar tudo o que ele quer e não pode, ao desobedecer a si próprio, à sua vontade, à sua própria alma e até à sua própria carne que lhe é inferior? Na verdade, é contra vontade que muitas vezes o espírito se perturba, a carne dói, envelhece e morre. Sofremos tantas coisas que não seríamos forçados a sofrer se a nossa natureza obedecesse à nossa vontade de todas as formas e em todas as suas partes. Também a carne sofre de algo que a não deixa obedecer. Que interessa saber porque é que a nossa carne (que nos fora submissa por mercê da justiça de Deus Soberano a quem não quisemos servir como súbditos) se nos torna molesta quando nos não obedece, se nós, quando não obedecemos a Deus, é a nós e não a Deus que nos tornamos molestos? Deus não necessita do nosso serviço como nós necessitamos do serviço do corpo. Por isso ' castigo nosso o que recebemos e não castigo d’Ele o que fazemos.

Quanto às dores que se dizem da carne, são elas da alma que as sente na carne e procedem da carne. Na verdade, que é que pode sofrer ou desejar a carne por si só, sem a alma? O que se diz desejar ou sofrer a carne — é o próprio homem, como já expusemos, ou algo da alma que recebe da carne uma impressão penosa (dela lhe provém o sofrimento), ou agradável (dela nascendo o prazer). Mas a dor da carne mais não é que um a repugnância da alma proveniente da carne, uma espécie de discordância com a paixão corporal — como a dor da alma chamada tristeza é uma discordância com o que nos acontece contra vontade. Mas a tristeza é, na maior parte das vezes, precedida pelo medo que, também ele, está na alma e não na carne, ao passo que a dor da carne jamais é precedida por medo algum da carne, que o corpo experimentaria antes da dor.

O prazer, porém, é precedido de uma certa apetência sentida na carne como desejo seu — tais como a fome, a sede e isso a que, nos órgãos genitais, geralmente se chama libido, embora este seja o nome genérico de todo o desejo. Na verdade, conforme os antigos a definiram, a cólera mais não é que um desejo (libido) de vingança — embora, por vezes, sem se experimentar o menor sentimento de vingança, o homem se irrite contra objectos inanimados: irritado atira com o estilete ou quebra a pena porque escreveu mal. Esta cólera tão disparatada é uma espécie de desejo (libido) de vingança e, nem sei como hei-de dizer, como que um a sombra de retribuição: que sofra o mal quem o mal pratica. Há, portanto, um desejo (libido) e vingança a que se chama ira, um desejo de ter dinheiro que se chama avareza, um desejo de vencer de qualquer maneira que se chama obstinação, um desejo de glória a que se chama jactância. São muitos e variados os desejos (libidines) — alguns deles têm nome próprio, outros não. Quem é que, na verdade, poderá facilmente dizer que nome tem o desejo de dominar que as guerras civis testemunham ter tamanho valor na alma dos tiranos?


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Gén., III, 13.
[ii] Gén., III, 12.
[iii] Salmo CXLIII, 4.

Doutrina – 311


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»


90. O Filho de Deus feito homem tinha uma alma com um conhecimento humano?

O Filho de Deus assumiu um corpo animado por uma alma racional humana.
Com a sua inteligência humana, Jesus aprendeu muitas coisas através da experiência.
Mas também, como homem, o Filho de Deus tinha um conhecimento íntimo e imediato de Deus seu Pai.

Penetrava igualmente os pensamentos secretos dos homens e conhecia plenamente os desígnios eternos que Ele viera revelar.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa

São Filipe de Néri

Evangelho: Jo 16, 20-23

? 20Em verdade, em verdade vos digo: haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo há-de gozar. Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria! 21A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque chegou a sua hora; mas, quando deu à luz o menino, já não se lembra da sua aflição, com a alegria de ter vindo um homem ao mundo. 22Também vós vos sentis agora tristes, mas Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23Nesse dia, já não me perguntareis nada. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará.

Comentário:

Ao contrário do que poderíamos pensar a partida do Senhor para o Céu não provoca tristeza nos Seus discípulos - o que seria natural - mas "uma grande alegria".

E porquê?

Terão compreendido, finalmente, quanto o Mestre lhes dissera?

Sentem-se como que "livres", entregues a si mesmos podendo escolher e decidir o que fazer e quando?

Nada disso!

Esta alegria que os possui é a alegria dos filhos de Deus que não encontra explicação porque faz parte integrante da vida de cada um em particular e também de todos como comunidade, como família que de facto somos.

Repito uma vez mais: o maior bem que Jesus nos poderia deixar depois de nos ter salvo foi - é - essa alegria que nos transforma, tranquiliza e faz seguir em frente, ultrapassar os obstáculos, vencer as dificuldades, resistir às tentações.

Bem-dito, sejas Senhor, pela alegria.


(AMA, comentário sobre Jo 16,20-23 , Malta, 06.05.2016)





Reflectindo - 254

Não tenho nada que fazer!

O ! significa uma afirmação.

Não aceito!

Substituo, quando muito, por: 

O que vou fazer agora?

Sim, agora, não mais tarde, daqui a pouco, logo quando me apetecer.
Tenho tanto que fazer, sim, é verdade, tenho imenso fazer.

Talvez não tenha tempo para fazer quanto quero, mas essa constatação, lógica, absolutamente verdadeira, não pode impedir-me de fazer o que devo, quando devo.

Então, para não ter pruridos nem prioridades, que mais não são que formas de ir protelando, pergunto-lhe do fundo do meu mais íntimo:

Domine, quid me vis facere? [i]

E, a resposta vem sempre, nunca falha!


(ama, reflexões, 2016.11.29





[i] Senhor, que queres que faça?

Epístolas de São Paulo – 87

Carta a Tito

Tito foi, juntamente com Timóteo, um dos principais colaboradores de Paulo. De origem grega, aderiu à fé, provavelmente através de Paulo, durante a primeira viagem missionária deste. Certo é que o acompanhou a Jerusalém, para a assembleia apostólica, constituindo um exemplo vivo da decisão tomada de não impor os costumes ju-daicos aos cristãos oriundos do mundo pagão, pois, embora sendo grego, não foi obrigado a circuncidar-se (Gl 2,1.3).

ACÇÃO DE TITO

Na sua colaboração com Paulo, foram-lhe confiadas tarefas delicadas como a organização da colecta em favor das igrejas da Judeia (2 Cor 8,6-17) e, provavelmente, a pacificação da comunidade de Corinto e a reconciliação entre esta e o próprio Paulo (2 Cor 2,1-13). Paulo refere-se a ele sempre em termos muito elogiosos (2 Cor 7,6-7.13-16; 12,18). Segundo 2 Tm 4,10, foi-lhe ainda confiada uma missão na Dalmácia. A presente Carta dá-o como “bispo” de Creta (Tt 1,5), onde, segundo a tradição, exerceu o ministério até ao fim dos seus dias. É estranho que os Actos dos Apóstolos, que mencionam várias vezes Timóteo, não façam nenhuma referência a Tito. Nunca foi apresentada uma explicação convincente para o facto, sugerindo alguns que Tito é o redactor das passagens “nós” dos Actos (Act 16,10-17; 20,5-21,18; 27,1-28,16).

AUTENTICIDADE

A maioria dos exegetas contesta a autenticidade paulina da Carta a Tito, quer pelo vocabulário utilizado, que se afasta bastante do que encontramos nas autênticas Cartas de Paulo, quer pelos problemas tratados, que fazem supor uma fase de desenvolvimento da Igreja posterior à época apostólica. Além disso, a Carta encontra-se redigida num tom muito impessoal, com excepção do título de «meu verdadeiro filho» que se encontra na saudação (1,4), longe, pois, das afectuosas referências de Paulo a Tito noutras Cartas.

DIVISÃO E CONTEÚDO

A Carta pode estruturar-se do modo seguinte:
Saudação inicial (1,1-4);
Orientações a Tito sobre os critérios de escolha dos responsáveis das comunidades (1,5-9);
Aviso contra os falsos mestres (1,10-16);
Ensinamentos sobre o modo de comportamento de várias categorias de crentes (2,1-15);
Elenco de deveres sociais (3,1-11);
Recomendações de carácter pessoal (3,12-14);

Saudação final (3,15).

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Gabriela Mijatovic






Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.













Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.

Rezar o Santo Rosário




Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





25/05/2017

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Tanaka Midori




Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.













Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

A virgem e São José - vídeo




Temas para meditar - 712


Virtudes mães

Humildade e caridade são as virtudes mães, as outras seguem-nas como os pintainhos a sua chocadeira.



SÃO FRANCISCO DE SALES, Epistolário fragm. 17 em obras selectas. BAC Madrid 1953 nr. 651 trad AMA)

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa


Evangelho: Jo 16, 16-20

16«Ainda um pouco, e deixareis de me ver; e um pouco mais, e por fim me vereis.» 17Disseram entre si alguns dos discípulos: «Que é isso que Ele nos diz: ‘Ainda um pouco, e deixareis de me ver, e um pouco mais, e por fim me vereis’? E também: ‘Eu vou para o Pai’?» 18Diziam, pois: «Que quer Ele dizer com isto: ‘Ainda um pouco’? Não sabemos o que Ele está a anunciar!» 19Jesus, percebendo que o queriam interrogar, disse-lhes: «Estais entre vós a inquirir acerca disto que Eu disse: ‘Ainda um pouco, e deixareis de me ver, e um pouco mais, e por fim me vereis’? 20Em verdade, em verdade vos digo: haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo há-de gozar. Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria!

Comentário:

Na sequência do discurso do capítulo 16, os discípulos continuam sem perceber exactamente a ausência que Cristo anuncia.

Talvez, no íntimo, não quisessem compreender, aceitar essa ausência e é absolutamente natural que assim reajam.

Adivinham tempos difíceis em que serão postos à prova e receiam não ter capacidade para os ultrapassar.

Quando se avizinha a perda de alguém que nos é muito querido, que fez parte integrante da nossa vida, que connosco repartiu alegrias e tristezas a nossa alma inquieta-se numa interrogação de "como será".

E, quando assim sucede, agarramo-nos ao que podemos e sabemos nos pode servir de lenitivo, auxílio, ajuda.


(AMA, comentário sobre Jo 16, 16-20, Malta, 05.05.2016)





Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XIV

CAPÍTULO XII

Gravidade do pecado cometido pelos primeiros homens.

Alguém poderá ficar impressionado por a natureza humana não sofrer pelos outros pecados uma alteração como a que sofreu com a prevaricação dos primeiros homens ao ponto de ficar sujeita à corrupção que verificamos e sentimos. Por essa prevaricação ficou ela sujeita à morte e submetida a tantas e tão grandes perturbações contraditórias. Com certeza que não era assim no Paraíso antes do pecado, embora existisse em um corpo animal. Se alguém, repito, ficar com isso impressionado, nem por isso se deve considerar com o leve e pequena a falta, lá porque apenas foi cometida em questão de com ida e que nem sequer era má e nociva a não ser por ser proibida. De facto, Deus não iria criar nem plantar em lugar de tão grande felicidade o que quer que fosse de mau. O que no preceito se recomendou foi a obediência — virtude que é como que a mãe e guardiã de todas as virtudes na criatura racional. A criatura racional foi criada de tal feição que lhe é útil estar sujeita à obediência e é-lhe prejudicial fazer a sua própria vontade e não a d’Aquele por quem foi criada. Assim, este preceito de não comer de certo género e comida onde tão grande abundância de outras havia — tão fácil de cumprir, tão breve para ser retido na memó­ria, sobretudo quando a concupiscência ainda não resistia à vontade, o que aconteceu logo depois do castigo — violado com tanta maior injustiça quanto mais facilmente podia ser observado.


CAPÍTULO XIII

Na prevaricação de Adão a vontade má foi anterior à má acção.

Foi no seu íntimo que começaram a ser maus para logo caírem em ostensiva desobediência. De facto, não se chega ao acto mau sem que a vontade má o tenha precedido. Ora qual pode ser o começo da vontade má senão a soberba? Efectivamente,

o orgulho é o começo de todo o pecado.[i]

Mas que é a soberba senão o desejo de uma falsa grandeza? A grandeza perversa está, na verdade, em abandonar o princípio ao qual a alma se deve unir para se tornar de certo modo seu próprio princípio. Isso realiza-se quando ela se compraz demasiadamente em si própria. E, de facto, com praz-se em si própria quando se afasta daquele imutável bem que devia agradar-lhe mais do que ela própria a si mesma. Mas este defeito é espontâneo — porque se a vontade se mantivesse no amor do bem superior e imutável que, para fazer ver, ilumina, e, para fazer amar, inflama, a mulher dele não se teria desviado para se
comprazer em si própria nem por sua causa se teria obscurecido e arrefecido. A mulher não teria acreditado nas palavras da serpente nem o homem teria preferido a vontade da esposa ao preceito de Deus; ele não teria pensado que cometeria uma simples transgressão venial do preceito ao violá-lo para se conservar fiel à companheira da sua a mesmo na cumplicidade do pecado. Portanto, o mal, a transgressão em comer do alimento proibido, não se realizou senão por comerem-no quando já eram maus. Realmente, aquele mau fruto não poderia provir senão de urna árvore má. Mas o que tornou a árvore má foi o acto contrário à natureza, pois sem o vício da vontade oposto à natureza, ela em tal se não teria tornado. Todavia, só pode tornar-se depravada pelo vício uma natureza tirada do nada. E o ser natureza advém-lhe de ter sido feita por Deus: mas decair do que é advém-lhe de ter sido tirada do nada. O homem não decaiu ao ponto de se tornar mesmo nada, mas, inclinando-se para si próprio, tornou-se menos do que era quando estava unido ao que é plenamente. Abandonar a Deus para ficar em si próprio, isto é, para em si próprio se com prazer, ainda não é o nada, mas é já aproximar-se do nada.
Daí que os soberbos, segundo as Sagradas Escrituras, sejam chamados por outro nome — «os que em si se comprazem» [ii]. De certo que é bom ter «o coração ao alto», mas não para si próprio — o que é soberba —mas «para o Senhor» — o que é próprio de uma obediência que só dos humildes pode ser [iii]. Assim é próprio da humildade levantar «o coração ao alto» de forma maravilhosa e é próprio da soberba baixá-lo. Parece haver nisto uma certa contradição: a altivez rebaixa e a humildade eleva. Mas uma piedosa humildade torna-nos submissos a quem está acima de nós — e nada está mais acima de nós do que Deus; a humildade que nos torna submissos a Deus exalta-nos, portanto. A altivez, porém, é um vício precisamente nos recusar a submissão, afastando-se d’Aquele acima do qual nada existe, e por isso mais se rebaixa, cumprindo-se o que está escrito:

Abateste-los quando se levantavam.[iv]

E não diz «quando se tinham levantado», como se primeiro se levantassem e em seguida fossem rebaixados, mas diz «quando se levantavam» são então rebaixados, porque levantar-se desse modo é já rebaixar-se.

É por isso que agora, na Cidade de Deus e à Cidade de Deus, a peregrinar neste século, muito se recomenda a humildade, altamente exaltada no seu rei que é Cristo. Nas Sagradas Escrituras ensina-se que o. vício da soberba, contrário a essa virtude, domina sobretudo no seu adversário que é o Diabo. Sem dúvida que é grande a diferença que opõe as duas cidades: um a, a sociedade dos homens piedosos, a outra, a dos ímpios, cada um a com os seus anjos próprios em que prevaleceu o amor de Deus ou o amor de si mesmo.

O Diabo não teria, portanto, surpreendido o homem em evidente e manifesto pecado de fazer o que Deus tinha proibido, se ele não tivesse começado já a comprazer-se em si mesmo. Já se deleitava com o dito:

Sereis como deuses.[v]

Tê-lo-iam sido melhor se se conservassem unidos pela obediência ao verdadeiro e supremo princípio, em vez de se fazerem, por soberba, seu próprio princípio. Porque deuses criados não são na verdade deuses por si mesmos, mas pela participação do verdadeiro Deus. Mas encontra menos de ser, ao procurar mais de ser, aquele que, ao - escolher bastar-se a si, se afasta d’Aquele que, na verdade, e basta. Portanto, esse mal — em que o homem, comprazendo-se em si mesmo com o se tosse luz, se afasta dessa luz que o teria tornado luz se ele nela pusesse as suas complacências — esse mal, digo eu, precedeu secretamente o da desobediência, de forma que se seguiu o mal cometido às claras. É, de tacto, verdade o que está escrito:

O coração exalta-se antes da queda e humilha-se antes da glória.[vi]

Essa ruína que se produz às ocultas precede a ruína que se produz às claras, embora a primeira se não tom e por ruína. Quem é que, de tacto, tomaria a exaltação por ruína? Quando se abandona o Altíssimo não haverá já queda? Quem é que não verá a ruína na transgressão evidente e indubitável do mandamento? Por isso é que Deus proibiu o que, uma vez cometido, não poderia encontrar pretexto algum que o justificasse. E eu ate ouso dizer que é útil aos soberbos que caiam em pecado evidente e manifesto, para que sintam desgosto consigo mesmos, eles que, ao cair, já tinham sentido prazer. Realmente, foi mais salutar para Pedro o seu desgosto quando chorou do que o seu prazer quando se gabou. E o que diz o salmo sagrado:


Enche-lhes, Senhor, a cara de ignomínia que eles procurarão o teu nome, [vii]


isto é, para que se comprazam em procurar o teu nome os que se tinham comprazido em procurarem o seu.




(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Écles., X, 15.
[ii] II Pd, II, 10.
[iii] Há aqui uma clara alusão ao diálogo que, na liturgia eucarística, entre celebrante e assembleia dos fiéis se travava momentos antes do «prefácio». Ao convite do Sacerdote para que se elevem os corações ao alto — sursum corda (ou sursum cor — coração ao alto — como dizia, no singular, na liturgia africana) respondia a assembleia habemus ad Dominum (temo-los elevados para o Senhor). Ainda soam ao nosso ouvido estas expressões latinas que só toram substituídas pela linguagem comum depois do Vaticano II.
[iv] Salmo LXXII, 18.
[v] Gén., III, 5.
[vi] Prov., XVII, 13.
[vii] Salmo LXXX II, 17.