27/05/2017

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Choir of St. Bride's Church




Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.













Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.

Amor de São Josemaria á Santíssima Virgem




Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa


Evangelho: Jo 16, 23-28

23Nesse dia, já não me perguntareis nada. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará. 24Até agora não pedistes nada em meu nome; pedi e recebereis. Assim, a vossa alegria será completa.» 25«Até aqui falei-vos por meio de comparações. Está a chegar a hora em que já não vos falarei por comparações, mas claramente vos darei a conhecer o que se refere ao Pai. 26Nesse dia, apresentareis em meu nome os vossos pedidos ao Pai, e não vos digo que rogarei por vós ao Pai, 27pois é o próprio Pai que vos ama, porque vós já me tendes amor e já credes que Eu saí de Deus. 28Saí do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e vou para o Pai.»

Comentário:

Como já dissemos todo o capítulo 16 é dedicado ao discurso de Jesus sobre a Sua partida para o Céu e as recomendações e avisos aos seus discípulos.

Quer, deseja veementemente, sossega-los, preparando-os para os termos difíceis que se aproximam.

Jesus, que os conhece bem, sabe que, no fundo, não obstante todas as dúvidas, destinos, incongruências e, até, fracassos, a sua fé permanecerá firme e hão-de levar por diante - custe o que custar - a missão que lhes entrega.


(AMA, comentário sobre Jo 16, 23-28, Malta, 07.05.2016)





Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 2

Vol. 2

LIVRO XIV

CAPÍTULO XVI

Do mal do libido, cujo nome, embora convenha a muitos vícios, está, todavia, reservado, em sentido próprio, aos movimentos da paixão obscena.

Embora haja desejos (libido, pl. libidines) de muitas coisas, todavia, quando se fala de libido, sem se acrescentar de que coisa é «desejo», pensa-se quase sempre na excitação das regiões pudendas do corpo. Este desejo apodera-se não só do corpo todo, exterior e interiormente, mas agita também o homem todo, unindo e misturando as paixões da alma e as apetências carnais para esta volúpia, a maior de todas entre os prazeres do corpo; e isto de tal forma que, no momento de chegar à sua plenitude, como que se aniquila a agudeza e a consciência do pensamento. Qual é o amigo da sabedoria e das santas alegrias que, praticando a vida conjugal, mas em conformidade com o conselho do Apóstolo:

Sabendo possuir o seu corpo na santidade e no respeito, não na paixão do desejo como entre os gentios que não conhecem a Deus,[i]

qual é este amigo da sabedoria que não preferiria, se pudesse, gerar filhos sem este «libido», de modo que, mesmo na função de os gerar, os órgãos, criados para essa função, permanecessem submetidos ao espírito, como submetidos ao espírito estão os outros órgãos nas suas respectivas funções e movidos por um sinal da vontade e não pelo ardor da volúpia? Mas nem mesmo os que se entregam a esta volúpia se sentem excitados quando querem, quer na união conjugal quer nas impurezas da devassidão. Às vezes esta emoção é inoportuna, surge sem ser solicitada; outras vezes abandona o que arde em desejo: a alma arde em desejo e o corpo fica gelado. Assim — coisa estranha! — não é só à vontade de gerar que a paixão se recusa a obedecer, mas à própria paixão de gozar. E embora, na maior parte das vezes, se oponha ao espírito que a refreia, vezes há em que se divide contra si própria agitando a alma sem agitar o corpo.

CAPÍTULO XVII

Da nudez que os primeiros homens, após o pecado, consideraram torpe e vergonhosa.

É com razão que se sente vergonha principalmente desta paixão. E também com razão que se chamam «vergonhosas» as regiões ou órgãos que esta paixão excita ou não, por assim dizer, segundo as suas leis e não precisamente como nós quereríamos. Não fora assim antes do pecado:

Estavam nus e não se sentiam embaraçados.[ii]

Não é que a nudez lhes passasse desapercebida — é que a nudez não era ainda vergonhosa; é que a paixão ainda não agitava os seus membros sem seu consentimento e a desobediência da carne de certo modo ainda não prestava testemunho contra a desobediência do homem para a rebater. Mas não foram criados cegos como julga um vulgar ignorante. Adão viu os animais; pôs-lhes nomes. E lê-se acerca da mulher:

A mulher viu que o fruto era bom para comer e agradava aos olhos para ver.[iii]

Os seus olhos estavam, portanto, abertos. Mas não estavam abertos para isso, isto é, não estavam atentos para conhecerem o que neles cobria a veste da graça quando ignoravam a resistência dos seus membros à vontade. Uma vez perdida esta graça, para castigar esta desobediência com pena correspondente, surgiu nos movimentos do corpo certa impudente novidade que tornou indecente a nudez, os tornou a ela atentos e os encheu de confusão Foi por isso que, após a evidente transgressão do mandamento de Deus, foi a este respeito escrito:

Abriram-se os olhos de ambos, apercebendo-se de que estavam nus e coseram folhas de figueira e fizeram para si umas tangas (campestria).[iv]

«Abriram -se os olhos de ambos», diz-se, não para verem, pois já antes viam, mas para discernirem entre o bem que tinham perdido e o mal em que tinham caído. Por isso é que a própria árvore destinada a comunicar-lhes esse discernimento, se, apesar da proibição, comessem do seu fruto, tomou daí o seu nome: chamou-se a árvore da ciência do bem e do mal. Realmente, a dolorosa experiência da doença torna mais sensível o encanto da saúde.

«Aperceberam -se de que estavam nus», isto é, despidos dessa graça que os impedia de terem vergonha da sua nudez quando neles nenhum a lei de pecado se opunha ao espírito. Desta forma aprenderam o que felizmente ignorariam se, crendo em Deus e obedecendo-lhe, não cometessem o que os coagiu a experimentar os efeitos nocivos da infidelidade e da desobediência. Por isso, confundidos ao verem a desobediência da carne como testemunho do castigo da sua desobediência, coseram folhas de figueira e para si fizeram umas campestria, isto é, succintoria (faixas) com o escrevem certos tradutores. (Campestria é uma palavra latina cuja origem procede do facto de os jovens cobrirem as regiões pudendas quando se exercitavam no Campo de Marte. Por isso o povo chamava campestrati — cobertos com tanga — aos que assim se tapavam). E assim, o que a paixão (libido) excitava contra vontade em punição da sua própria desobediência, tapava-o envergonhado odor. Daí que todos os povos, desta estirpe originários, têm tão arreigada tendência para cobrirem as suas vergonhas que alguns bárbaros nem nos banhos desnudam essas artes do corpo e lavam-se com vestuário próprio. Nas sombrias solidões da índia alguns homens que filosofam nus (daí o nome de gimnosofistas) trazem, no entanto, nessas regiões uma cobertura que não usam nas outras partes.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] I Tessal., I V, 4 - 5.
[ii] Gén., II, 25.
[iii] Gén., III, 6.
[iv] Gen., III, 7.

Doutrina – 312



CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

91. Como se harmonizam as duas vontades do Verbo encarnado?

Jesus tem uma vontade divina e uma vontade humana.
Na sua vida terrena, o Filho de Deus quis humanamente o que divinamente decidiu com o Pai e o Espírito Santo para a nossa salvação.

A vontade humana de Cristo segue, sem oposição ou relutância, a vontade divina, ou melhor, está subordinada a ela.

Epístolas de São Paulo – 88

Carta a Tito - cap 1

Saudação

- 1Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, em ordem à fé dos eleitos de Deus e ao conhecimento da verdade, que conduz à piedade, 2na esperança da vida eterna, prometida desde os tempos antigos pelo Deus que não mente 3e que, no devido tempo, manifestou a sua palavra, pela pregação que me foi confiada por manda-to de Deus, nosso Salvador: 4a Tito, meu verdadeiro filho, pela fé comum, a graça e a paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Salvador.

Qualidades dos presbíteros (1 Tm 3,1-7)

- 5Deixei-te em Creta, para acabares de organizar o que ainda falta e para colocares presbíteros em cada cidade, de acordo com as minhas instruções. 6Cada um deles deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, com filhos crentes, e não acusados de vida leviana ou de insubordinação. 7Porque é preciso que o bispo, como administrador de Deus, seja irrepreensível, não arrogante, nem colérico, nem dado ao vinho, à violência ou ao lucro desonesto; 8mas, antes, hospitaleiro, amigo do bem, prudente, justo, piedoso, continente, 9firmemente enraizado na doutrina da palavra digna de fé, de modo que seja capaz de exortar com sãos ensinamentos e de refutar os contraditores.

Os falsos mestres (1 Tm 1,3-7; 4,1-5; 2 Tm 2,14-20)


- 10Há, de facto, muitos insubordinados, palradores e sedutores, sobretudo entre os da circuncisão, 11aos quais é preciso tapar a boca, pois transtornam famílias inteiras, ensinando o que não devem, tendo em vista o lucro desonesto. 12Aliás, como disse um deles, que era profeta, «os cretenses são sempre mentirosos, bestas más e ventres preguiçosos.» 13E este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que tenham uma fé sã, 14não dando ouvidos a fábulas judaicas e a preceitos de homens que se afastaram da verdade. 15Tudo é puro para os puros, mas, para os corruptos e os incrédulos, nada é puro, porque a sua mente e a sua consciência estão corrompidas. 16Proclamam conhecer a Deus, mas negam-no com as obras, revelando-se abomináveis, rebeldes e incapazes de qualquer obra boa.

Jesus Cristo e a Igreja – 160

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

V. FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DA DISCIPLINA DO CELIBATO

…/117

Fundamento histórico doutrinal

…/13

O ensinamento do Antigo Testamento

É necessário agora que tratemos outro ponto que é muitas vezes invocado como um argumento contra a continência dos ministros nos primeiros séculos.
Costuma-se apelar, como muitas vezes já afirmamos, ao Antigo Testamento, que, como sabemos, era legítimo e até mesmo necessário o uso pleno do matrimónio por parte dos sacerdotes e levitas, nos dias em que viviam em suas casas, livres do serviço do Templo. A essa objeção se pode responder de duas maneiras.

Antes de tudo deve-se assinalar que o sacerdócio vetero-testamentário havia sido confiado a uma única tribo que devia ser conservada, e isso fazia necessário o matrimónio. O sacerdócio do Novo Testamento não foi definido, no entanto, como o sacerdócio de sucessão pelo sangue e não se baseia na descendência familiar. Um segundo e mais importante argumento a favor da distinção entre um sacerdócio e outro diz: os sacerdotes do Antigo Testamento prestavam um serviço temporal limitado no templo, enquanto que os sacerdotes do Novo Testamento mantêm um serviço permanente, por isso a obrigação temporal de continência e de pureza se estendeu a uma observância ilimitada e contínua.

(cont)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





26/05/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRO XIV

CAPÍTULO XIV

A soberba do transgressor foi mais grave do que a transgressão.

Mas pior e mais condenável é a soberba que até nos pecados manifestos procura a escapatória duma justificação. Foi assim que procederam os primeiros homens, dos quais a mulher disse:

serpente enganou-me e eu comi.[i]

e o homem disse:

A mulher que me deste por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi.[ii]

Em momento nenhum se ouve aqui um pedido de perdão, em momento nenhum se ouve uma solicitação de remédio. Embora não neguem como Caim o que cometeram, todavia, a soberba procura lançar sobre o outro o mal que fez — sobre a serpente a soberba da mulher, sobre a mulher a soberba do homem. Mas a justificação é antes uma acusação quando é manifesta a violação do mandamento divino. Nem deixaram de a cometer — a mulher porque a cometeu enganada pela serpente e o homem por a mulher lho pedir, como se se devesse preferir fosse o que fosse a Deus em quem se deve crer, a quem se deve obedecer.


CAPÍTULO XV

Justiça da sanção infligida aos primeiros homens devido à sua desobediência.

Deus legislador — que o tinha criado, que o tinha feito à sua imagem, que o tinha posto a presidir a todos os restantes seres animados, que o tinha colocado no Paraíso, que o tinha cumulado de saúde e de todos os bens, que não o tinha sobrecarregado com preceitos numerosos, pesados ou difíceis mas apenas com um tão simples e tão breve para garantir uma salutar obediência (com o qual lembrava a esta criatura — de quem mais não esperava que um serviço livre — que Ele é que era o Senhor) — este Deus foi desprezado pelo homem. A consequência foi uma justa condenação. E essa condenação foi tal que o homem, — que mesmo na sua carne seria espiritual caso guardasse o mandamento — tornou carnal o próprio espírito e ele, que, devido à sua soberba, em si mesmo tinha posto as suas complacências, a si mesmo foi entregue pela justiça de Deus. Em vez, porém, de se tornar senhor de si pró­prio e de adquirir a liberdade que desejava, entrou em discórdia consigo mesmo e sofreu uma dura e miserável servidão às ordens daquele a quem, ao pecar, obedecera. De livre vontade morreu no seu espírito — contra vontade morreu no seu corpo. Desertou da vida eterna e foi condenado à morte eterna — a não ser que desta seja libertado pela graça.

Se alguém considera excessiva ou injusta esta condenação, com certeza que não sabe apreciar quão grande fora a iniquidade ao pecar quando tão grande era a facilidade de não pecar. Assim com o com justiça se proclama a grande obediência de Abraão, porque era tão difícil a ordem de matar o filho — assim a desobediência no Paraíso foi tanto maior quanto menor era a dificuldade em obedecer. E assim como a obediência do segundo Adão foi tanto mais admirável porque se fez obediente até à morte — assim a desobediência do primeiro Adão foi tanto mais detestável porque se fez desobediente até à morte. Quando a pena decretada para a desobediência era grande e fácil a ordem do Criador — quem poderá descrever suficientemente a gravidade do mal que houve ao desobedecer numa coisa tão fácil a uma ordem de uma tão grande potestade e sob a ameaça de tamanho castigo?

Enfim e para o dizer em poucas palavras — que pena foi imposta neste pecado à desobediência senão a desobediência? Realmente, que mais é a miséria do homem do que desobediência dele próprio a ele próprio? Porque ele não quis o que podia, já não pode o que quer. Claro que no Paraíso nem tudo podia antes do pecado, mas o que não podia não queria: podia, portanto, tudo o que queria. Agora, porém, como vemos nos seus descendentes

o homem tomou-se semelhante ao vazio,[iii]

como o testemunha a Sagrada Escritura. Quem poderá, efectivamente, enumerar tudo o que ele quer e não pode, ao desobedecer a si próprio, à sua vontade, à sua própria alma e até à sua própria carne que lhe é inferior? Na verdade, é contra vontade que muitas vezes o espírito se perturba, a carne dói, envelhece e morre. Sofremos tantas coisas que não seríamos forçados a sofrer se a nossa natureza obedecesse à nossa vontade de todas as formas e em todas as suas partes. Também a carne sofre de algo que a não deixa obedecer. Que interessa saber porque é que a nossa carne (que nos fora submissa por mercê da justiça de Deus Soberano a quem não quisemos servir como súbditos) se nos torna molesta quando nos não obedece, se nós, quando não obedecemos a Deus, é a nós e não a Deus que nos tornamos molestos? Deus não necessita do nosso serviço como nós necessitamos do serviço do corpo. Por isso ' castigo nosso o que recebemos e não castigo d’Ele o que fazemos.

Quanto às dores que se dizem da carne, são elas da alma que as sente na carne e procedem da carne. Na verdade, que é que pode sofrer ou desejar a carne por si só, sem a alma? O que se diz desejar ou sofrer a carne — é o próprio homem, como já expusemos, ou algo da alma que recebe da carne uma impressão penosa (dela lhe provém o sofrimento), ou agradável (dela nascendo o prazer). Mas a dor da carne mais não é que um a repugnância da alma proveniente da carne, uma espécie de discordância com a paixão corporal — como a dor da alma chamada tristeza é uma discordância com o que nos acontece contra vontade. Mas a tristeza é, na maior parte das vezes, precedida pelo medo que, também ele, está na alma e não na carne, ao passo que a dor da carne jamais é precedida por medo algum da carne, que o corpo experimentaria antes da dor.

O prazer, porém, é precedido de uma certa apetência sentida na carne como desejo seu — tais como a fome, a sede e isso a que, nos órgãos genitais, geralmente se chama libido, embora este seja o nome genérico de todo o desejo. Na verdade, conforme os antigos a definiram, a cólera mais não é que um desejo (libido) de vingança — embora, por vezes, sem se experimentar o menor sentimento de vingança, o homem se irrite contra objectos inanimados: irritado atira com o estilete ou quebra a pena porque escreveu mal. Esta cólera tão disparatada é uma espécie de desejo (libido) de vingança e, nem sei como hei-de dizer, como que um a sombra de retribuição: que sofra o mal quem o mal pratica. Há, portanto, um desejo (libido) e vingança a que se chama ira, um desejo de ter dinheiro que se chama avareza, um desejo de vencer de qualquer maneira que se chama obstinação, um desejo de glória a que se chama jactância. São muitos e variados os desejos (libidines) — alguns deles têm nome próprio, outros não. Quem é que, na verdade, poderá facilmente dizer que nome tem o desejo de dominar que as guerras civis testemunham ter tamanho valor na alma dos tiranos?


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Gén., III, 13.
[ii] Gén., III, 12.
[iii] Salmo CXLIII, 4.

Doutrina – 311


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»


90. O Filho de Deus feito homem tinha uma alma com um conhecimento humano?

O Filho de Deus assumiu um corpo animado por uma alma racional humana.
Com a sua inteligência humana, Jesus aprendeu muitas coisas através da experiência.
Mas também, como homem, o Filho de Deus tinha um conhecimento íntimo e imediato de Deus seu Pai.

Penetrava igualmente os pensamentos secretos dos homens e conhecia plenamente os desígnios eternos que Ele viera revelar.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa

São Filipe de Néri

Evangelho: Jo 16, 20-23

? 20Em verdade, em verdade vos digo: haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo há-de gozar. Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria! 21A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque chegou a sua hora; mas, quando deu à luz o menino, já não se lembra da sua aflição, com a alegria de ter vindo um homem ao mundo. 22Também vós vos sentis agora tristes, mas Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23Nesse dia, já não me perguntareis nada. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará.

Comentário:

Ao contrário do que poderíamos pensar a partida do Senhor para o Céu não provoca tristeza nos Seus discípulos - o que seria natural - mas "uma grande alegria".

E porquê?

Terão compreendido, finalmente, quanto o Mestre lhes dissera?

Sentem-se como que "livres", entregues a si mesmos podendo escolher e decidir o que fazer e quando?

Nada disso!

Esta alegria que os possui é a alegria dos filhos de Deus que não encontra explicação porque faz parte integrante da vida de cada um em particular e também de todos como comunidade, como família que de facto somos.

Repito uma vez mais: o maior bem que Jesus nos poderia deixar depois de nos ter salvo foi - é - essa alegria que nos transforma, tranquiliza e faz seguir em frente, ultrapassar os obstáculos, vencer as dificuldades, resistir às tentações.

Bem-dito, sejas Senhor, pela alegria.


(AMA, comentário sobre Jo 16,20-23 , Malta, 06.05.2016)





Reflectindo - 254

Não tenho nada que fazer!

O ! significa uma afirmação.

Não aceito!

Substituo, quando muito, por: 

O que vou fazer agora?

Sim, agora, não mais tarde, daqui a pouco, logo quando me apetecer.
Tenho tanto que fazer, sim, é verdade, tenho imenso fazer.

Talvez não tenha tempo para fazer quanto quero, mas essa constatação, lógica, absolutamente verdadeira, não pode impedir-me de fazer o que devo, quando devo.

Então, para não ter pruridos nem prioridades, que mais não são que formas de ir protelando, pergunto-lhe do fundo do meu mais íntimo:

Domine, quid me vis facere? [i]

E, a resposta vem sempre, nunca falha!


(ama, reflexões, 2016.11.29





[i] Senhor, que queres que faça?