25/04/2017

Fátima: Centenário - Poemas

VIRGEM CLEMENTÍSSIMA


Quando a dextra do Eterno ameaça o mundo
todo imerso no abismo do pecado,
surge a Virgem com seu sorrir jucundo,
qual do Céu o arco-íris abençoado.

Modelo de clemência, o lodo imundo
com o sangue de Jesus na Cruz pregado,
rega e muda, no seu amor profundo,
em jardim de mil flores matizado.

Clemente porque boa, em cada hora
os prodígios renova de que outrora
foram teatro Caná, Aim, Carém.

Por isso, a terra inteira na desdita
recorre a Ti, das gerações bendita,
ó clemente, ó piedosa, ó doce Mãe!

Visconde de Montelo, Paráfrase da Ladainha Lauretana, 1956 [i]



[i] Cónego Manuel Nunes Formigão
1883 - Manuel Nunes Formigão nasce em Tomar, a 1 de Janeiro. 1908 - É ordenado presbítero a 4 de Abril em Roma. 1909 - É laureado em Teologia e Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma. 1909 - No Santuário de Lourdes, compromete-se a divulgar a devoção mariana em Portugal. 1917 - Nossa Senhora aceita o seu compromisso e ele entrega-se à causa de Fátima. 1917 / 1919 - Interroga, acompanha e apoia com carinho os Pastorinhos. - Jacinta deixa-lhe uma mensagem de Nossa senhora, ao morrer. 1921 - Escreve o livro: "Os Episódios Maravilhosos de Fátima". 1922 - Integra a comissão do processo canónico de investigação às aparições. 1922 - Colabora e põe de pé o periódico "Voz de Fátima". 1924 - A sua experiência de servita de Nossa Senhora em Lurdes, leva-o a implementar idêntica actividade em Fátima. 1928 - Escreve a obra mais importante: "As Grandes Maravilhas de Fátima". 1928 - Assiste à primeira profissão religiosa da Irmã Lúcia, em Tuy. Ela comunica-lhe a devoção dos primeiros sábados e pede-lhe que a divulgue. 1930 - Escreve "Fátima, o Paraíso na Terra". 1931 - Escreve "A Pérola de Portugal". 1936 - Escreve " Fé e Pátria". 1937 - Funda a revista "Stella". 1940 - Funda o jornal "Mensageiro de Bragança". 1943 - Funda o Almanaque de Nossa Senhora de Fátima. 1954 – Muda-se para Fátima a pedido do bispo de Leiria-Fátima 1956 - Escreve sonetos compilados na "Ladainha Lauretana". 1958 – Morre em Fátima. 06/01/1926 - Funda a congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima. 11/04/1949 – A congregação por ele fundada é reconhecida por direito diocesano. 22/08/1949 – Primeiras profissões canónicas das Religiosas. 16/11/2000 - A Conferência Episcopal Portuguesa concede a anuência por unanimidade, para a introdução da causa de beatificação e canonização deste apóstolo de Fátima. 15/09/2001 - Festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira da congregação - É oficialmente aberto o processo de canonização do padre Formigão. 16/04/2005 – É oficialmente encerrado e lacrado o processso de canonização do padre Formigão.
Fátima, 28 Jan 2017 (Ecclesia) – Decorreu hoje a cerimónia de trasladação dos restos mortais do padre Manuel Nunes Formigão, conhecido como 'o apóstolo de Fátima, do cemitério local para um mausoléu construído na Casa de Nossa Senhora das Dores.
A celebração de trasladação deste sacerdote e servo de Deus começou com uma concentração, rua Francisco Marto, 203, com centenas de pessoas, seguida de saída para o cemitério da Freguesia de Fátima.
Na eucaristia inserida neste evento, na Basílica da Santíssima Trindade, do Santuário de Fátima, D. António Marto destacou uma figura que "se rendeu ao mistério e à revelação do amor de Deus, da beleza da sua santidade tal como brilhou aos pastorinhos de Fátima".
O bispo de Leiria-Fátima recordou ainda o padre Manuel Formigão como alguém que "captou de uma maneira admirável para o seu tempo, a dimensão reparadora da vivência da fé tão sublinhada na mensagem de Fátima".

Nota de AMA:
Este livro de Sonetos foi por sua expressa vontade, depois da sua morte, devidamente autografado, entregue a meu Pai. Guardo o exemplar como autêntica relíquia.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Nota de António Mexia Alves

Sou o único autor e administrador de NUNC COEPI que é – de há uns anos para cá – o meu único trabalho.
A ele dedico o melhor do meu esforço numa média de 5/7 horas de trabalho diário.

NUNC COEPI tem – e terá - unicamente fins apostólicos e, por isso, tendo como referência as palavras de Jesus:

«O trabalhador merece o seu sustento» [i]

e sendo a minha situação pessoal difícil em termos económicos, resolvi, sem qualquer hesitação ou prurido publicar esta nota.

Preciso realmente de ajuda e por isso apelo aos leitores de NUNC COEPI que colaborem com essa ajuda que se destina, naturalmente, às despesas correntes como internet, livros, newsletters, etc., indispensáveis para esse mesmo trabalho.

Qualquer quantia –1€/mês = 12,00€/ano – constituirá inestimável contributo.

Se decidir contribuir, agradeço o favor de enviar para o meu mail pessoal – ontiano@gmail.com – a indicação do valor – mensal – semestral ou anual – ou outra que preferir e, em resposta, indicarei o IBAN da conta para onde poderá fazer a respectiva transferência. Naturalmente guardarei sigilo absoluto.

Desde já, muito obrigado e a minha garantia de que NUNC COEPI continuará com as suas publicações diárias, assim Deus me ajude e ilumine.


António Mexia Alves





[i] Cfr. Mt 10, 9

Hoy el reto del amor es aplicar el dicho "más vale maña que fuerza".

PELEA CONTRA LA CAJONERA

Por la noche fui al piso de abajo a apagar el ordenador. En la mesa encontré un USB. Abrí el cajón del escritorio, puse el USB en su sitio y... ¡clonc! ¡¡Imposible cerrar!!

Algo se había caído por detrás. Traté de meter la mano, pero era demasiado estrecho. Abrí el cajón de encima y, como es más grande, pude meter el brazo entero hasta alcanzar el obstáculo: una caja. La cogí y... ¡¡crash!! ¡La manga del hábito se había quedado pillada en algo!

Aunque gritase, no me oirían. Y ya nadie me esperaba hasta las 6 de la mañana. Podía intentar quitarme el hábito con una sola mano...

"Señor", pensé, "échame Tú una mano..."

De pronto vino a mi cabeza: "Más vale maña que fuerza". Moví suavemente la manga a un lado, a otro... ¡y salió sin esfuerzo!

Creo que así nos pasa muchas veces a nosotros: nos "enganchamos" por tener opiniones distintas, diferentes puntos de vista sobre cómo afrontar una situación... y podemos quedarnos atrapados en la discusión. Sin embargo, ¡Cristo tiene otra alternativa!

Cristo cuenta con que somos humanos: lo normal es que veamos las cosas de diferente manera unos de otros, y eso no lo va a cambiar: ¡lo que va a cambiar son tus ojos!

Cristo quiere regalarte unos ojos nuevos de amor y respeto para que veas que las diferencias te descubren nuevas posibilidades, y que los "enganchones" son en realidad oportunidades de enriquecimiento mutuo.

Hoy el reto del amor es aplicar el dicho "más vale maña que fuerza". Para ello, pide a Cristo poder estar abierto a lo que te digan los demás. Y si hoy tienes algún enganchón, ¡no uses la fuerza de las razones, sino la maña del amor! Trata de entender a la otra persona, de comprender sus ideas: ¡con suavidad, lo enganchado se suelta sin romperse! ¡Feliz día!


VIVE DE CRISTO

É preciso que sejas homem de vida interior

É preciso que sejas "homem de Deus", homem de vida interior, homem de oração e de sacrifício. – O teu apostolado deve ser uma superabundância da tua vida "para dentro". (Caminho, 961)

Vida interior. Santidade nas tarefas usuais, santidade nas coisas pequenas, santidade no trabalho profissional, nas canseiras de todos os dias...; santidade para santificar os outros. Numa certa ocasião, um meu conhecido – nunca hei-de chegar a conhecê-lo bem – sonhava que ia a voar num avião a uma grande altura, mas não dentro da cabine; ia montado nas asas. Coitado do desgraçado: como sofria e se angustiava! Parecia que Nosso Senhor lhe dava a conhecer que assim andam pelas alturas – inseguras, inquietas – as almas apostólicas que não têm vida interior ou que a descuidam: com o perigo constante de caírem, sofrendo, incertas.

E penso, efectivamente, que correm um sério risco de se extraviarem os que se lançam à acção – ao activismo – prescindindo da oração, do sacrifício e dos meios indispensáveis para conseguir uma piedade sólida: a frequência dos Sacramentos, a meditação, o exame de consciência, a leitura espiritual, a convivência assídua com a Virgem Santíssima e com os Anjos da Guarda... Tudo isto contribui, além disso, com uma eficácia insubstituível, para que o caminho do cristão seja tão agradável, porque da sua riqueza interior jorram a doçura e a felicidade de Deus como o mel do favo.


Na intimidade pessoal, na conduta externa, no convívio com os outros, no trabalho, cada um há-de procurar manter-se numa contínua presença de Deus, com uma conversa – um diálogo – que não se manifesta exteriormente. Melhor dito, não se exprime normalmente com ruído de palavras, mas há-de notar-se pelo empenho e pela diligência amorosa com que acabamos bem as tarefas, tanto as importantes como as insignificantes. Se não procedêssemos com essa constância, seríamos pouco coerentes com a nossa condição de filhos de Deus, pois teríamos desperdiçado os recursos que Nosso Senhor colocou providencialmente ao nosso alcance, para chegarmos ao estado de homem perfeito, à medida da idade perfeita segundo Cristo. (Amigos de Deus, 18–19)

Temas para meditar - 703

Amizade


Um filho de Deus há-de ser veraz; a verdadeira amizade não sabe dissimular o que sente. 


são jerónimoEpistolae, 105, 2.



Evangelho e comentário

Tempo de Páscoa

São Marcos - Evangelista

Evangelho: Mc 16, 15-20

15 E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura.16 Quem crer e for baptizado, será salvo; mas quem não crer, será condenado.17 Eis os milagres que acompanharão os que crerem: Expulsarão os demónios em Meu nome, falarão novas línguas,18 pegarão em serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os doentes, e serão curados».19 O Senhor, depois de assim lhes ter falado, elevou-Se ao céu e foi sentar-Se à direita do Pai.20 Eles, tendo partido, pregaram por toda a parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os milagres que a acompanhavam.

Comentário:

As últimas palavras de Jesus na terra são como que a "passagem de testemunho" aos Apóstolos, dando-lhes as directivas do trabalho a meter ombros, trabalho que é e será a continuidade do que Ele próprio levou a cabo: levar a todos o Reino de Deus e dando-lhes os meios e assistência necessárias para que possam ultrapassar as dificuldades e obstáculos que os esperam.

A estes doze entrega a Sua Igreja porque sabe que pode confiar na sua dedicação e empenho em tão extraordinária missão que não obstante a sua magnitude seria levada a cabo até ao final dos tempos.


(ama, comentário sobre Mc 16, 15-20, Malta, 2016.04.25)

Leitura espiritual

A Cidade Deus
A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2


LIVRO XII

CAPÍTULO VIII

Do amor pervertido pelo qual a vontade se afasta do bem imutável para se unir ao bem mutável.

O que eu sei é que a natureza de Deus nunca, em parte nenhuma e de modo nenhum pode falhar, ao passo que podem falhar as naturezas feitas a partir do nada. Mas quanto mais essas naturezas são e fazem o bem (é então que fazem alguma coisa) tanto mais têm elas causas eficientes. E na medida em que falham e por isso fazem o mal (que fazem então senão o nada?) têm elas causas deficientes. Sei também que, no ser em que se produz uma vontade má, isso não aconteceria se ele não quisesse. As suas faltas são, portanto, voluntárias e não necessárias, e por isso é que são seguidas de um justo castigo. De facto, afasta-se — não para o mal em si, mas de maneira má, isto é, não se inclina para naturezas más, mas inclina-se mal por, contra a ordem da natureza, se separar do Ser Supremo para seres inferiores. Assim:

a avareza não é vício do ouro, mas do homem que ama perversamente o ouro, pondo de parte a justiça que devia ser posta muito acima do ouro;

a luxúria também não é um vício dos corpos belos e graciosos, mas de um a alma que ama de forma pervertida as volúpias corporais, descuidando a temperança que nos dispõe para as realidades mais belas do espírito e para maiores graças incorruptíveis;

não é a jactância um vício do louvor humano, mas da alma que perversamente gosta de ser louvada pelos homens com desprezo do testemunho da consciência; nem a soberba é o vício de quem outorga o poder ou do próprio poder, mas o da alma que ama perversamente a sua própria autoridade e despreza a autoridade justa de um mais poderoso. E por isso que quem ama perversamente um bem, seja ele de que natureza for, mesmo que o obtenha, torna-se mau nesse bem e miserável pela privação de um bem melhor.

CAPÍTULO IX

O criador da natureza dos santos anjos é também o autor da sua vontade boa por meio da graça neles difundida pelo Espírito Santo.

Como não existe, portanto, na vontade má, uma causa eficiente natural, ou, se assim se pode dizer, essencial, (é, realmente, por ela que o mal dos espíritos mutá­veis começa; este mal é que diminui ou corrompe o bem da natureza; uma tal vontade não resulta senão de uma defecção pela qual se abandona Deus; também a causa desta defecção é em si um a defecção) se dissermos que também não há nenhuma causa eficiente da vontade boa dos anjos, temos que ter cuidado não se vá pensar que a vontade boa dos anjos não foi criada mas é coeterna com Deus. Como, porém, também eles foram criados — como pretender que a sua vontade é incriada? Mas, já que foi criada — foi-o com eles ou primeiro foram eles criados, mas sem ela? Mas, se foi criada com eles, é fora de dúvida de que o seu Autor e o dos anjos é o mesmo — e o mesmo instante em que foram criados ligaram-se eles a quem os criou com o mesmo amor com que foram criados. Os maus estão separados da sua companhia precisamente porque, ao passo que os bons permaneceram nessa vontade boa, eles, os maus, mudaram, ao nela se não manterem, e se afastaram dessa companhia devido à má vontade que neles apareceu graças à sua defecção — defecção esta que, por sua vez, não se verificaria, se eles a não tivessem querido.

Mas, se os anjos bons começaram por existir sem vontade boa e se foram eles próprios que em si a produziram sem a acção de Deus — tornaram-se então melhores do que tinham por Ele sido feitos? Nada disso! Efectivamente, sem vontade boa que mais seriam senão maus? Ou, se não eram maus, pois não tinham vontade má (com efeito não se tinham separado duma vontade boa que ainda não tinham começado a ter) com certeza que então nem eram maus, nem tão pouco eram bons senão quando começaram a ter vontade boa. Mas não puderam fazer-se a si próprios melhores do que os tinha feito Aquele que melhor que ninguém tudo fez. Por isso, a boa vontade, pela qual se tornariam melhores, — não a poderiam eles ter sem a ajuda efectiva do Criador. Aliás, a sua vontade boa teve por efeito voltá-los, não para si próprios, que tinham menos ser, mas para o Ser Supremo. Unindo-os a Este, conferiu-lhes ela mais ser, para os fazer viver com sabedoria e beatitude na sua participação. Por muito boa que fosse, a sua vontade permaneceria pobre e entregue ao puro desejo, se Aquele que tinha feito, a partir do nada, uma natureza boa, capaz de o possuir, não a tivesse feito melhor enchendo-a de si próprio depois de a levar a tornar-se mais intensamente desejosa d’Ele.

Há outra questão a discutir. Se os anjos bons são autores da sua própria vontade boa — fizeram-na com alguma vontade ou com nenhuma? Se com nenhuma — evidentemente que nada fizeram; se com alguma — era esta boa ou má? Se era má — com pode uma vontade má ser causa de uma vontade boa? Se era boa — então já a tinham. E esta — quem é que a tinha criado senão Aquele que os criou com um a vontade boa, isto é, com um amor casto pelo qual eles se unem a Quem simultaneamente cria a sua natureza e os enriquece com a sua graça? Daí termos de acreditar que os santos anjos nunca existiram sem vontade boa, isto é, sem o amor de Deus.

Mas os que, embora criados bons, são agora maus (por sua má vontade própria, que não é devida à sua natureza boa, mas à sua falta espontânea relativamente ao bem: a causa do mal não é o bem, mas a falta de bem).— esses

ou receberam a graça do divino amor num grau menor que o daqueles que nela perseveraram,

ou então, embora criados todos igualmente bons, uns caíram por má vontade, e os outros, tendo recebido maiores auxílios, chegaram à plenitude da felicidade com a garantia definitiva de jamais caírem, como já expus no livro anterior.

É preciso reconhecer, em justo louvor do Criador, que não é apenas dos homens santos, mas também dos santos anjos que se pode dizer que a caridade de Deus se difundiu neles pelo Espírito Santo que lhes foi dado. Nem é somente do bem dos homens, mas primeira e principalmente do dos anjos que foi escrito:

Para mim o bem é estar unido a Deus.[i]

Os que gozam em comum deste bem constituem entre si e com Aquele a que estão unidos um a santa sociedade e formam a única cidade de Deus que é, ela própria, o seu sacrifício vivo e o seu templo. Mas é tempo, bem o vejo, de contar, com o já o fiz para louvar os anjos, como nasceu do mesmo Deus Criador a parte desta cidade destinada a reunir-se um dia aos anjos imortais, a qual é constituída por homens mortais e peregrinos agora por esta terra de maneira inconstante ou, naqueles que já morreram, repousa nas moradas secretas em que habitam as almas. Efectivamente, foi de um só homem, o primeiro a ser criado por Deus, que começou o género humano, como o testemunham as Sagradas Escrituras que, com toda a razão, gozam de admirável autoridade no mundo inteiro: foram essas Escrituras que, sob a acção divina, entre outras coisas que já se verificaram, predisseram que nelas viriam a acreditar todos os povos.



(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Salmo LXXII, 28.

Epístolas de São Paulo – 56

Carta aos Efésios

O tom geral desta Carta não está de acordo com a autoria de Paulo: é muito impessoal, faltando o estilo e a linguagem próprios do Apóstolo. Mais que uma Carta, parece tratar-se de uma espécie de homilia que utiliza o modelo epistolar. As únicas referências indirectas a Paulo (3,13; 5,18-22) não chegam para lhe atribuirmos este escrito. Deve, pois, tratar-se de um documento pertencente a um autor dos círculos paulinos, que se dirige aos pagãos convertidos ao cristianismo, fazendo-o em nome de Paulo (1,1-2).

DESTINATÁRIO

Não está claro se foi escrita aos cristãos de Éfeso grande cidade da Ásia Menor evangelizada por Paulo, na sua terceira viagem missionária (Act 19) ou aos de Laodiceia (Cl 4,16).
O tom impessoal da Carta, a ausência de companheiros do Apóstolo (não se refere nenhum) leva os estudiosos a inclinarem-se pela hipótese de uma Carta-circular dirigida às igrejas paulinas da Ásia Menor. Além disso, o nome do destinatário (a cidade de Éfeso) falta nos códices mais importantes.

DIVISÃO E CONTEÚDO

A Carta aos Efésios está organizada em duas partes:
Apresentação: 1,1-2.
I. A Igreja e o Evangelho (1,3-3,21):
A graça de Deus: 1,3-14;
Cristo, Senhor do mundo e da Igreja: 1,15-23;
A obra de Cristo: 2,1-22;
Lugar de Paulo no plano de Deus: 3,1-21.
II. Exortação aos baptizados (4,1-6,20):
Viver na unidade: 4,1-16;
Instruções várias: 4,17-5,20;
Cristo e a Igreja. Consequências: 5,21-6,9;
Combater inimigos espirituais: 6,10-20.
Saudação final: 6,21-24.

TEOLOGIA

Por esta época, nas cristandades asiáticas começavam a propagar-se doutrinas judaico-gnósticas sobre as forças espirituais, os anjos, colocando-os acima de Cristo. Com isso, procurava-se exaltar a Lei de Moisés, pois, segundo as tradições rabínicas, ela fora promulgada por anjos. Se os anjos, que a promulgaram, eram superiores a Cristo, também a Lei o seria, em relação ao Evangelho. Contra esta visão das coisas, Paulo expõe o “Mistério de Cristo” na sua grandeza cósmica, enraizado no “Mistério da Igreja”.

É na Igreja que Deus revela hoje o seu plano salvador realizado em Cristo e por Cristo. A Igreja de Cristo é universal, nova Criação e Corpo em crescimento. É nela que judeus e pagãos se encontram na unidade. A Igreja é ainda o novo povo de Deus, a esposa de Cristo (5,21-32), por quem Ele deu a vida.

Doutrina – 280

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

O céu e a terra

59. O que é que Deus criou?

A Sagrada Escritura diz: «No princípio Deus criou o céu e a terra» [1]. A Igreja, na sua profissão de fé, proclama que Deus é o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis: de todos os seres espirituais e materiais, isto é, dos anjos e do mundo visível, e em particular do homem.







[1] Gn 1,1

Reflectindo - 245

Sou um inocente!

Em vez de (!) Talvez, antes (?)

Que pergunta? Que exame?

No fim e ao cabo o que é ser inocente?

Penso que, resumindo, é não ter nenhuma responsabilidade sobre algo que se fez ou que se pensou.

Mas como?

Fazer ou pensar são actos da vontade que só acontecem com consentimento pessoal, logo...

Julgo que a resposta está na intenção ao contrário do que será fazer ou pensar de acordo com a minha conveniência.

Inocente significa, ao mesmo tempo, inimputável, um termo muito em uso nos dias de hoje.

Mas, não exactamente iguais.

Posso ser inimputável por algo que fiz sob o efeito de bebida ou outro meio qualquer que alterou significativamente a minha capacidade de avaliação, mas o efeito é resultado da causa e esta é altamente reprovável pelo que não inocente.

Por outro lado, quando se actua sob pressão ou qualquer condicionante, tal não significa por si só que se seja inocente porque, para cair nessa situação, foi necessário dar passos, consentir de alguma forma colaborar.

Assim, resumindo, ser inocente é não ter nem intenção, nem consequência, é como a criança que faz o que faz porque quer sem que deseje saber se tal lhe convém, é útil ou interessa.

Donde que, para um adulto, ser inocente é extremamente difícil… tão difícil como uma criança portar-se como um adulto.

(ama, reflexões, 2016.11.09)


Pequena agenda do cristão

TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)









Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:

Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


 Oração:

Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.